Grave erro de expressão na GloboNews gera onda de críticas e debate sobre racismo estrutural

RIO DE JANEIRO – O programa Estúdio i, da GloboNews, tornou-se o centro de uma intensa polêmica no início deste mês de abril. Durante a cobertura sobre os preparativos para a missão Artemis II, da NASA, a jornalista Marina Franceschini, que substituía Andréia Sadi no comando da atração, utilizou uma frase que rapidamente viralizou e gerou uma onda de indignação nas redes sociais.

Ao descrever a tripulação histórica que orbitará a Lua, Marina afirmou: "Um homem, um negro e uma mulher". A escolha das palavras foi imediatamente contestada por telespectadores e especialistas em questões raciais.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Um post compartilhado por DestakNews Brasil (@destaknewsbrasiloficial)

Continua após a publicidade

O Erro: O Homem Branco como "Padrão Universal"

O comentário ocorreu no momento em que a jornalista tentava enfatizar a diversidade da missão Artemis II, que pela primeira vez inclui uma mulher (Christina Koch) e um homem negro (Victor Glover). No entanto, ao dizer "um homem e um negro", a fala foi apontada como um exemplo clássico de racismo estrutural na linguagem.

Especialistas explicam que, ao separar as categorias, a jornalista implicitamente retira a condição de "homem" do astronauta negro, tratando o homem branco (os demais tripulantes) como o padrão universal da espécie humana, enquanto o negro é definido apenas por sua cor.

"Quando você diz 'um homem e um negro', você está dizendo que o negro não é homem? Ou que o homem branco é o único que detém o conceito de humanidade plena? É o racismo linguístico em sua forma mais nítida", comentou um internauta em uma publicação que alcançou milhares de compartilhamentos.

Continua após a publicidade

Repercussão e Silêncio Digital

A reação nas redes sociais foi imediata e severa. O termo "Padrão Globo de Jornalismo" foi utilizado de forma irônica por críticos para questionar a preparação dos profissionais da emissora em lidar com pautas de diversidade.

Diante da pressão e dos ataques, Marina Franceschini desativou seus perfis oficiais nas redes sociais. Nos bastidores da GloboNews, o clima é de constrangimento. Colegas de redação classificaram o episódio como uma "infelicidade extrema" e um "erro grave de dicção e raciocínio", embora ressaltem que a intenção da jornalista era, justamente, celebrar a representatividade da equipe da NASA.

O Desafio da Representatividade na Mídia

O episódio levanta um debate necessário sobre como os veículos de comunicação estruturam suas falas sobre inclusão. A missão Artemis II é, de fato, um marco:

Continua após a publicidade
  • Victor Glover será o primeiro homem negro a sair da órbita baixa da Terra.

  • Christina Koch será a primeira mulher a realizar tal feito.

O erro de Marina Franceschini demonstra que, embora a intenção de destacar a diversidade exista, a falta de letramento racial pode transformar um elogio em uma ofensa que reforça preconceitos históricos.

Continua após a publicidade

Posicionamento Interno

Até o momento, a GloboNews não emitiu uma nota oficial de retratação no ar, mas a direção de jornalismo teria reforçado internamente a necessidade de maior atenção à terminologia utilizada em pautas de direitos civis e representatividade.


Nota do Editor: A linguagem é uma ferramenta viva e poderosa. Episódios como este mostram que a luta contra o racismo passa, obrigatoriamente, pela revisão da forma como falamos e categorizamos as pessoas.

Siga o canal do Destak News e receba as principais notícias no seu Whatsapp!