MPMG instaura investigações criminais para apurar mortes em operação policial em Campo Belo

Através de Procedimentos Investigatórios Criminais (PICs), o Ministério Público vai apurar a conduta policial em quatro das sete mortes registradas após o assassinato do Sargento Rodrigo Silv

CAMPO BELO – A 3ª Promotoria de Justiça de Campo Belo oficializou a abertura de quatro Procedimentos Investigatórios Criminais (PICs) para apurar as circunstâncias de mortes ocorridas durante a "Operação Sargento Rodrigo". A ofensiva da Polícia Militar foi deflagrada em resposta ao assassinato do 3º Sargento Rodrigo Silva Pereira, ocorrido no início de março.

Diferente de um inquérito policial comum, o PIC é um instrumento exclusivo do Ministério Público, que permite à instituição conduzir apurações de infrações penais de forma autônoma, garantindo maior isenção em casos que envolvem a atividade policial.

Investigação Individualizada e Suporte Técnico

Segundo nota do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), as investigações foram divididas para garantir que cada caso seja analisado detalhadamente. Os procedimentos iniciais referem-se às mortes de:

Os óbitos ocorreram entre os dias 4 e 9 de março. Para dar suporte técnico à promotoria local, o Centro de Apoio Operacional de Defesa da Segurança Pública (CAO-SEP) foi acionado. O órgão é especializado no controle externo da atividade policial e auxiliará na análise de laudos e evidências.

O Estopim: Morte de Militar e Escala de Violência

A operação teve início após um crime que chocou a cidade. Em 4 de março, o Sargento Rodrigo Silva Pereira foi executado por dois homens em uma motocicleta no momento em que chegava em sua residência, acompanhado do filho. Imagens de câmeras de segurança mostraram a emboscada, que deu origem a uma forte mobilização das forças de segurança.

Desde então, o saldo da operação subiu para sete mortos e mais de 30 prisões e apreensões. No último domingo (15), outras três pessoas morreram em confrontos com a PM. O Ministério Público ressaltou que, embora esses três casos recentes ainda não tenham sido formalizados na Promotoria, novos procedimentos podem ser instaurados assim que as comunicações oficiais forem recebidas.

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Posicionamento do Governo e das Forças de Segurança

Em visita à região na última segunda-feira (16), o governador Romeu Zema defendeu o rigor da atuação policial. Zema classificou as organizações criminosas locais como "terroristas" e afirmou que a ordem é impedir o avanço de facções em território mineiro.

"A minha orientação para o comandante da Polícia Militar é não deixar o crime organizado entrar em Minas Gerais. Não quero que isso aqui se transforme em áreas privadas dessas facções", declarou o governador.

Por outro lado, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que também conduz inquéritos paralelos para apurar os fatos e que as investigações seguem em andamento sob sigilo.

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Próximos Passos

O Ministério Público tem um prazo inicial de 30 dias para concluir os PICs, período que pode ser prorrogado caso surjam novas provas ou necessidade de perícias complexas. O Poder Judiciário já foi oficialmente comunicado sobre as investigações conduzidas pelos promotores.

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