Justiça condena homem a 31 anos de prisão por feminicídio brutal e ocultação de cadáver em Córrego Fundo (MG)

O crime, ocorrido em 2023, chocou a região pela crueldade: a vítima, grávida de três meses, foi torturada, morta e teve o corpo incinerado em um forno de cal.

CÓRREGO FUNDO – Em sessão realizada pelo Tribunal do Júri na última quarta-feira (18), a 2ª Promotoria de Justiça de Formiga obteve a condenação de um homem de 28 anos a uma pena de 31 anos e dois meses de reclusão. Ele foi considerado culpado pelos crimes de feminicídio qualificado, destruição de cadáver e corrupção de menores.

O crime ocorreu em julho de 2023, no povoado de Comunheira, zona rural de Córrego Fundo, e vitimou uma mulher de 29 anos que estava no início de uma gestação. O réu cumprirá a pena inicialmente em regime fechado, conforme determinação judicial.

Requinte de Crueldade e Emboscada

De acordo com os autos do processo e a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o acusado mantinha um relacionamento conturbado com a vítima. Para executar o crime, ele contou com o auxílio de uma adolescente, na época com 17 anos, com quem também se relacionava.

No dia 26 de julho de 2023, o homem atraiu a vítima para uma área de mata isolada. No local, a adolescente já aguardava escondida. A emboscada foi fatal: a mulher foi atacada pelas costas, recebendo golpes de faca e pauladas que anularam qualquer chance de defesa.

Continua após a publicidade

Tortura Filmada pelo Próprio Réu

Um dos detalhes mais sórdidos do caso, que embasou a acusação de tortura, foi o registro das agressões. Enquanto a vítima agonizava, a adolescente a imobilizou, sentando-se sobre ela e enforcando-a. Nesse intervalo, o homem filmava o sofrimento da mulher com o celular, proferindo xingamentos e agressões psicológicas. A morte foi confirmada após um golpe violento com um pedaço de madeira na região frontal da cabeça.

A Tentativa de "Apagar" o Crime

O rastro de barbárie continuou na madrugada seguinte. Por volta das 03h00, a dupla retornou ao matagal para dar fim ao corpo. O plano envolveu uma manobra de distração:

O corpo foi inteiramente incinerado. O crime começou a ser descoberto horas depois, quando funcionários sentiram um odor atípico vindo do forno.

Investigação e Provas Fiscais

A Polícia Militar chegou ao paradeiro do réu após encontrar uma peça de roupa ensanguentada perto de um cafezal, que levava a um rastro de sangue até a rampa da fornalha. No momento da abordagem, o acusado portava a mesma pochete que aparecia nos vídeos da tortura gravados por ele mesmo. Áudios encontrados em seu celular também confirmaram a intenção de fuga.

Continua após a publicidade

A faca utilizada no crime foi apreendida com a adolescente. Embora tenha sido encaminhada ao sistema socioeducativo na época, a jovem foi liberada ao completar 18 anos.

As Qualificadoras

O Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses do MPMG, reconhecendo as qualificadoras de:

  1. Motivo torpe;

    Continua após a publicidade
  2. Emprego de emboscada (recurso que dificultou a defesa);

  3. Asfixia e tortura;

  4. Feminicídio (crime contra a mulher por razões da condição de sexo feminino).

Devido ao envolvimento de menor de idade na época, trechos específicos do processo seguem sob segredo de Justiça.

Siga o canal do Destak News e receba as principais notícias no seu Whatsapp!