BRASÍLIA / BELO HORIZONTE – Novas informações trazidas à tona pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, colocam em xeque os bastidores de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. Documentos extraídos do aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, apontam para uma suposta comunicação direta entre o empresário e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
A dinâmica da suposta comunicação
Os dados foram obtidos durante a perícia realizada no celular de Vorcaro, apreendido originalmente em sua primeira prisão, datada de 17 de novembro de 2025. Segundo investigadores, o conteúdo das mensagens sugere um canal de diálogo voltado para questões ligadas à sobrevivência financeira da instituição bancária.
Em um dos registros, datado de 7h19 do dia 17 de novembro de 2025, Vorcaro teria questionado o magistrado sobre movimentações judiciais: "Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?".
A perícia da PF aponta um método de comunicação deliberadamente oculto. De acordo com o jornal O Globo, ambos teriam utilizado o bloco de notas de seus dispositivos para redigir textos, convertendo-os em capturas de tela (prints) enviadas via WhatsApp como imagens de visualização única. Essa técnica, desenhada para impedir a persistência de registros, dificultou o acesso ao conteúdo integral das respostas do ministro, que, segundo a PF, ocorreram de forma célere.
O posicionamento do Gabinete de Moraes
Em resposta às revelações, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes foi categórico ao refutar as alegações. Em nota oficial, o órgão classificou as informações como "ilações mentirosas", sustentando que o ministro jamais recebeu as referidas mensagens e que o conteúdo não condiz com a realidade dos fatos.
O Contexto do "Caso Master"
A divulgação das mensagens ocorre em um momento de extremo desgaste para o setor financeiro e jurídico brasileiro. O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após a revelação de um rombo patrimonial que, segundo fontes do mercado, alcança a cifra astronômica de R$ 40 bilhões, derivado de uma complexa teia de créditos fictícios.
Além do impacto financeiro, o caso é agravado por questionamentos sobre um conflito de interesses: investigações apontam que o Banco Master mantinha contratos de prestação de serviços jurídicos com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, avaliados em R$ 129 milhões.
A Situação de Vorcaro
Daniel Vorcaro, que voltou a ser detido em março de 2026, segue no centro de um furacão jurídico. Em depoimento prestado à CPI do Crime Organizado na última quarta-feira (4), o empresário enfrentou questionamentos não apenas sobre as fraudes no Banco Master, mas sobre sua suposta liderança em uma milícia de segurança privada. O grupo seria especializado em atividades de monitoramento, perseguição de jornalistas e intimidação de ex-funcionários, utilizando sistemas de inteligência para acessar dados sigilosos e sensíveis.
O inquérito, agora abastecido com as novas mensagens periciadas, segue sob análise das autoridades competentes e promete novos capítulos nos próximos dias.