Justiça condena Estado de Pernambuco a indenizar delegada Natasha Dolci após afastamento ilegal

Em uma decisão que reafirma os limites do poder administrativo, a 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital condenou o Estado de Pernambuco ao pagamento de R$ 90 mil por danos morais à delegada Natasha Dolci. A sentença, proferida na última quarta-feira (05), reconhece que houve abuso de poder e ilegalidade nas medidas disciplinares impostas à servidora durante as investigações do caso Rodrigo Carvalheira.

As Irregularidades e a Nulidade da Portaria

A sentença, assinada pela juíza Milena Flores Ferraz Cintra, anulou de forma definitiva os efeitos da Portaria nº 2.755/2024. O documento administrativo havia imposto sanções severas à delegada, que foram consideradas desproporcionais e sem base legal pelo Judiciário.

Entre as medidas anuladas, destacam-se:

  • A obrigação de comparecimento diário à Diretoria de Recursos Humanos (DRH);

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  • A suspensão do porte de arma sem a devida justificativa técnica ou legal;

  • O recolhimento imediato de sua arma de fogo, munições e carteira funcional.

Fundamentação: O Limite do Mérito Administrativo

Um dos pontos centrais da decisão foi o afastamento da tese de que o Judiciário não poderia interferir em atos da Administração Pública. O Estado de Pernambuco argumentou que as medidas faziam parte do "mérito administrativo", porém, a magistrada foi enfática ao decidir que o controle judicial é plenamente legítimo quando há evidências de:

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  1. Abuso de poder;

  2. Ilegalidade clara no ato;

  3. Violação de direitos fundamentais do servidor.

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"Embora o controle judicial não substitua a Administração Pública, ele é essencial para garantir que a discricionariedade não se transforme em arbitrariedade", aponta um trecho do entendimento jurídico.

Risco à Integridade Física e Dano Moral Presumido

A condenação de R$ 90 mil reflete a gravidade do constrangimento imposto. O Judiciário considerou que o dano moral no caso de Natasha Dolci é presumido, uma vez que a retirada de suas prerrogativas funcionais (especialmente o porte de arma) a expôs a um risco real.

Durante o período em que esteve desarmada e sem os instrumentos de proteção da polícia, a delegada chegou a registrar um Boletim de Ocorrência relatando que foi perseguida por um homem armado. Para a Justiça, o Estado falhou em seu dever de cautela, gerando insegurança e abalo emocional à servidora.

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Desfecho e Reparação

Diante da pressão jurídica e das evidências de excesso, a própria Secretaria de Defesa Social (SDS) já havia revogado o afastamento anteriormente, devolvendo as armas e a identidade funcional à delegada. No entanto, a sentença atual consolida o direito à indenização pelos danos sofridos durante o período de irregularidade.

A decisão serve como um importante precedente para delegados e demais servidores da segurança pública em Pernambuco e no Brasil, reforçando que processos administrativos disciplinares devem seguir rigorosamente o devido processo legal, sem serem utilizados como ferramentas de retaliação ou constrangimento.


Destaque Jurídico

  • Ação: Indenizatória por Danos Morais.

  • Réu: Estado de Pernambuco.

  • Valor da Indenização: R$ 90.000,00.

  • Órgão Julgador: 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital.

 

Conheça a Trajetória da Delegada Natasha Dolci 

Instagram: @dolcinatasha

Natasha Dolci é uma figura de destaque na Polícia Civil de Pernambuco, conhecida por sua atuação firme em casos de alta complexidade. Sua trajetória é marcada pelo rigor técnico e pela defesa dos direitos das vítimas, especialmente em crimes que envolvem violência de gênero e vulneráveis.

Atuação Acadêmica e Técnica:

Além de sua função como delegada, Dolci é reconhecida por sua preparação acadêmica, sendo vista como uma profissional que preza pelo estrito cumprimento da lei e dos protocolos de investigação.

Destaque no Caso Rodrigo Carvalheira:

Natasha ganhou ainda mais projeção ao presidir investigações sensíveis envolvendo figuras de influência, como o empresário Rodrigo Carvalheira. Sua postura durante o inquérito foi pautada pela independência, o que gerou debates sobre a autonomia dos delegados de polícia no exercício de suas funções.

Resiliência Institucional:

O reconhecimento judicial de que seu afastamento foi ilegal reforça sua imagem como uma profissional que, mesmo sob pressão administrativa, manteve sua conduta ética. A devolução de suas prerrogativas pela própria Secretaria de Defesa Social (SDS) já havia sinalizado a correção de sua postura funcional antes mesmo da sentença final.

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