BRASÍLIA – O cenário político nacional foi abalado nesta quarta-feira (7) com a confirmação de que dois dos principais pilares da Esplanada dos Ministérios, Fernando Haddad (Fazenda) e Ricardo Lewandowski (Justiça), solicitaram oficialmente suas saídas do governo. A informação, antecipada pelo colunista Valdo Cruz, da GloboNews, coloca o Palácio do Planalto em um esforço de contenção de danos e planejamento sucessório acelerado.
O Fator Lewandowski: Segurança Pública em Jogo
O ministro Ricardo Lewandowski já havia sinalizado seu desconforto com o ritmo da pasta no final de 2025. O ex-ministro do STF deseja deixar o cargo até o fim desta semana, alegando razões pessoais e o desejo de retornar à vida acadêmica e consultiva.
No entanto, há uma forte pressão interna para que ele permaneça até a conclusão da PEC da Segurança Pública. A proposta é considerada a "menina dos olhos" da atual gestão para combater a crise de criminalidade, mas enfrenta resistência no Congresso.
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O Sucessor: O nome de Manoel Carlos de Almeida Neto, atual secretário-executivo e braço direito de Lewandowski, é o favorito. A escolha sinaliza continuidade técnica e mantém o prestígio da bancada baiana no governo.
Haddad: Olho em 2026 e o Futuro Econômico
A saída de Fernando Haddad, embora especulada, gera maior impacto nos mercados financeiros. Haddad pretende permanecer no cargo até fevereiro, garantindo a entrega do primeiro balanço fiscal do ano. O presidente Lula, contudo, já desenha um novo destino para seu principal aliado:
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Estratégia Eleitoral: Lula quer Haddad em São Paulo. O objetivo é fortalecer o palanque governista no maior colégio eleitoral do país, seja disputando o Governo do Estado ou uma cadeira no Senado Federal.
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Sucessão Técnica: Para evitar turbulências econômicas, o nome de Dario Durigan, secretário-executivo da Fazenda, ganha força total. Durigan é bem visto pelo setor bancário e pelo mercado, o que garantiria uma transição suave da política fiscal.
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Tabela de Substituições Prováveis
| Ministério | Saída Prevista | Ministro Atual | Substituto Provável | Perfil |
| Justiça | Janeiro/2026 | Ricardo Lewandowski | Manoel Carlos Neto | Técnico/Pragmático |
| Fazenda | Fevereiro/2026 | Fernando Haddad | Dario Durigan | Mercado/Continuidade |
Reações e Impacto
A saída simultânea dos dois ministros é vista por analistas como uma "reforma ministerial forçada". Enquanto Lewandowski busca o descanso da vida pública, Haddad é "convocado" para a linha de frente da batalha eleitoral. A oposição já se movimenta para criticar o que chamam de "abandono de barco", enquanto a base governista tenta emplacar a narrativa de "renovação estratégica".
Lula, que retornou a Brasília recentemente, deve realizar reuniões individuais com ambos os ministros nas próximas 48 horas para selar o cronograma oficial e evitar que a vacância nos cargos gere instabilidade no câmbio e nas votações do Legislativo.
Análise: O "Efeito Sucessão" no Mercado Financeiro
A notícia da saída de Fernando Haddad da Fazenda, embora motivada por um movimento estratégico para as eleições de 2026, foi recebida pelo mercado financeiro com uma mistura de cautela e pragmatismo. Haddad, que inicialmente enfrentou forte desconfiança, consolidou-se ao longo do mandato como uma "âncora política" capaz de dialogar com o Congresso e frear impulsos mais gastadores da ala política do governo.
1. A Aposta na Continuidade: Dario Durigan
O nome de Dario Durigan (atual secretário-executivo) como sucessor natural é o principal fator que impediu um estresse maior nos ativos brasileiros (dólar e juros). Durigan é visto pelos investidores como o "CEO do Ministério", sendo o responsável pela execução técnica das metas fiscais.
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Perfil Técnico: Sua experiência anterior no setor privado e sua atuação como número dois da pasta transmitem a mensagem de que a política econômica não sofrerá uma guinada à esquerda.
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Reação dos Ativos: Analistas preveem que o Ibovespa pode apresentar volatilidade no curto prazo, mas a confirmação de Durigan tende a estabilizar os prêmios de risco.
2. Riscos no Radar
Apesar do alívio com o nome de Durigan, dois pontos mantêm os economistas em alerta:
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O "Vácuo" de Poder Político: Haddad possui um capital político que Durigan, por ter perfil técnico, ainda não testou. A dúvida é se o novo ministro conseguirá manter a mesma firmeza nas negociações de medidas de arrecadação no Congresso.
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Orçamento de 2026: A saída de Haddad para disputar as eleições pode ser interpretada como um sinal de que o governo priorizará a agenda popular (gastos) em detrimento do rigor fiscal para pavimentar as campanhas de 2026.
3. Impacto da Saída de Lewandowski
Embora a pasta da Justiça tenha menos impacto direto no câmbio, o mercado observa a saída de Lewandowski com atenção à segurança jurídica. A transição para um nome como Manoel Carlos de Almeida Neto é vista com bons olhos por manter o perfil institucional do ministério, evitando nomes que pudessem sinalizar uma politização excessiva da Polícia Federal ou do Judiciário.
Conclusão para o site: O mercado agora aguarda o primeiro pronunciamento oficial de Dario Durigan. O "selo de aprovação" dos investidores dependerá do seu compromisso público com a manutenção do arcabouço fiscal e o controle da dívida pública.