A Polícia Federal (PF) solicitou oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação do prazo dos inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação sobre os requerimentos foi divulgada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta terça-feira (20).
Segundo os investigadores da PF, o prazo inicial de 60 dias revelou-se insuficiente diante da complexidade dos fatos investigados, e diversas diligências fundamentais continuam em andamento.
Foco em apurações no Ministério da Saúde e na Dataprev
As investigações concentram-se em supostas irregularidades e esquemas de intermediação ilícita com ramificações no Ministério da Saúde e na Dataprev — estatal responsável pelo processamento de dados da Previdência Social e de programas sociais do governo.
O caso se desdobra a partir das apurações da Operação Sem Desconto, deflagrada para reprimir desvios e fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre as diligências pendentes está a confecção de relatórios detalhados sobre as relações e a atuação conjunta de Lulinha, da lobista Roberta Luchsinger e do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
Processos aguardam análise no Supremo
Os pedidos de prorrogação foram endereçados ao ministro André Mendonça, relator das apurações no STF. No entanto, a análise dos requerimentos encontra-se paralisada na Presidência da Corte Suprema desde o mês de setembro, razão pela qual a solicitação de prazo adicional pela Polícia Federal ainda não foi despachada.
O que dizem os citados e as defesas
Diante das novidades sobre o pedido da PF, as defesas dos investigados se manifestaram questionando o momento da movimentação e contestando as suspeitas:
- Roberta Luchsinger: A defesa da lobista destacou que o inquérito já dura um ano sem que qualquer prova de irregularidade tenha sido encontrada. Argumentou que qualquer movimento investigativo neste momento indica "interesse político eleitoreiro" e defendeu o arquivamento definitivo da apuração.
- Antônio Carlos Camilo Antunes ("Careca do INSS"): A defesa declarou que não houve qualquer conduta ilícita na atuação de seu cliente, ressaltando que ele se encontra preso há 13 meses e aguarda o julgamento de recursos contra a prisão preventiva.
- Fernando Bittar: A defesa apontou que a coincidência de os pedidos surgirem na antevéspera da eleição presidencial revela um evidente viés político na condução do caso.
- Marco Aurélio Santana Ribeiro: A defesa afirmou que o cliente jamais intermediou negociações, encaminhou documentos de compras ou atuou em favor de interesses privados enquanto chefiou o gabinete da Presidência. Informou ainda que o empréstimo com Roberta Luchsinger já foi quitado e reiterou confiança no trabalho da PF.
- Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha): A produção do Jornal Nacional informou que entrou em contato com a equipe de defesa do empresário, mas não obteve retorno até a exibição da reportagem.