BELO HORIZONTE – As estruturas do tabuleiro político mineiro voltaram a balançar na manhã desta sexta-feira (7). Em entrevista concedida à Rádio Itatiaia, o candidato ao Senado Federal Marcelo Aro (PP) fez declarações contundentes sobre os bastidores que selaram o rompimento entre ele e o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD).
Durante a conversa, o ex-secretário de Governo admitiu que não conseguiu viabilizar sua própria candidatura ao Palácio Tiradentes, devolveu as acusações de traição feitas por Simões e defendeu publicamente que o Republicanos mude de ideia e lance o senador Cleitinho Azevedo na corrida ao governo.
"Carisma de uma geladeira" e fracasso nas articulações
Marcelo Aro detalhou os esforços frustrados de tentar unir o campo da direita em torno de uma candidatura competitiva. Segundo o pré-candidato do PP, a falta de apelo popular do atual chefe do Executivo mineiro foi o grande gargalo da base aliada.
"Eu trabalhei para o Mateus ser o governador do nosso campo ideológico, mas não conseguimos porque o carisma do Mateus é de uma geladeira. A gente não conseguiu unir o nosso campo no nome do Mateus" — Marcelo Aro (PP), candidato ao Senado.
Após romper publicamente com o governador no fim de julho, Aro tentou se viabilizar como o nome do grupo ao governo. Diante do cenário adverso, voltou os olhos para o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que viveu idas e vindas até o partido dar a disputa como página virada.
"Nós tentamos unir o nosso campo ideológico com o Cleitinho, só que infelizmente teve essas idas e vindas no partido dele, e não conseguimos consolidar o nome do Cleitinho, que era, sim, o nome mais palatável para o nosso campo. Eu tentei de tudo, mas não consegui, nem para o Mateus, nem para o Cleitinho, nem para mim" — completou.
Apelo público ao Republicanos por Cleitinho
Apesar de a direção nacional do Republicanos ter sinalizado o recuo na candidatura majoritária, Aro aproveitou a entrevista para fazer um apelo direto às lideranças da legenda a poucos dias do fim do prazo de registro de chapas na Justiça Eleitoral.
Para o parlamentar, Cleitinho continua sendo o nome com maior densidade eleitoral para enfrentar as urnas. "Eu tenho visto a movimentação do Republicanos e ainda acho que pode dar certo. Eu faço um apelo para que o Republicanos tome a decisão de lançar o Cleitinho como candidato a governador. Se ele for candidato, não tenho dúvida que é o melhor quadro para nos representar" [sic], declarou.
Acusações contra Mateus Simões: "O traidor é ele"
Ao responder sobre os ataques recentes sofridos por parte do governador — que acusou o grupo de Aro de ter "parasitado" a gestão estadual por quatro anos para alimentar interesses pessoais —, o ex-secretário elevou o tom e devolveu as críticas.
"Quem traiu foi o Mateus. Assim que tivemos a ruptura, ele veio a público e falou mal de mim, me acusou. Quando Pedro fala de Paulo, a gente sabe mais do Pedro do que de Paulo. O traidor é o Mateus, ele tem histórico de traição" — afirmou Aro.
Para fundamentar a acusação, o candidato ao Senado citou as negociações da chapa governista:
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Promessas duplas de vice: Alegou que Simões teria prometido a vaga de vice-governador a diferentes blocos políticos simultaneamente antes do martelo ser batido.
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Troca do Novo pelo PSD: Classificou a saída de Simões do Partido Novo para se filiar ao PSD como uma "traição ao próprio partido por conveniência eleitoral".
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O estopim da crise: A chegada de Carlos Viana
A derrocada da aliança começou em abril, quando o senador Carlos Viana se filiou ao PSD. Segundo Aro, havia um acordo prévio de que ele seria o candidato único ao Senado apoiado por Simões, com o direito de participar da escolha de um eventual segundo nome da chapa.
O ex-secretário relatou ter sido apanhado de surpresa ao receber uma mensagem de texto do governador informando sobre a chegada de Viana à legenda, contrariando garantias dadas anteriormente. O desgaste acumulou-se até o rompimento definitivo no fim do mês passado.
Aro ocupou cargos estratégicos na gestão de Romeu Zema (Novo), como o comando da Casa Civil e da Secretaria de Governo (Segov), cargo do qual se desligou em março para ficar apto à disputa eleitoral de outubro.