Um vídeo que ganhou enorme repercussão nas redes sociais mostra a reação inusitada de um policial militar do Espírito Santo ao receber uma ligação de um estelionatário. Ao perceber imediatamente que se tratava do clássico golpe do falso sequestro, o sargento Júlio Cezar Gama, de 51 anos, decidiu "entrar no personagem" e enganou o criminoso por quase seis minutos, simulando desespero enquanto gravava a cena.
O tom irônico e a tranquilidade do militar para desestabilizar o bandido chamaram a atenção dos internautas e transformaram o registro em um viral de utilidade pública.
"Dá Pix inválido": A estratégia para enrolar o bandido
Durante a ligação, o criminoso iniciou as habituais ameaças psicológicas, afirmando que estava com a filha do policial e exigindo um resgate imediato via Pix. Mantendo o controle da situação, o sargento começou a negociar e pediu para ouvir a voz da suposta refém, o que foi negado pelo golpista.
A partir daí, o diálogo tomou um rumo cômico:
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O criminoso ordenou: "Pega a faca aí e traz para cá. Abre o aplicativo do banco. Já tá aberto?"
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O sargento fingiu obedecer e pediu a chave Pix para a transferência.
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Para ganhar tempo e irritar o estelionatário, o militar afirmou várias vezes que o código estava dando "Pix inválido", forçando o bandido a ditar números diferentes e a se confundir.
Irritado com a demora, o golpista subiu o tom das ameaças: "Se você pedir para falar com ela de novo, eu acabo com tudo! Vou sair daqui e levar ela para o lixo!". O sargento continuou fingindo confusão até cansar do teatro e disparar o desfecho que viralizou: "Aqui, seu babaca. Você tá falando com um polícia, seu mané!", desligando o telefone logo em seguida.
Quem é o sargento por trás da pegadinha?
O protagonista do vídeo é o Sargento Gama, veterano com 27 anos de serviços prestados à Polícia Militar do Espírito Santo. Ele atua no 8º Batalhão, sediado em Colatina, na região Norte do estado.
O militar contou que estava de plantão quando tudo aconteceu. "A gente parou para fazer um lanche rápido. Quando atendi, eles já colocaram uma pessoa chorando e gritando no fundo. Como eu conheço o modus operandi desse golpe, pensei na hora: 'vou zoar com esse golpista'", diverte-se o sargento. Ele revelou ainda que chegou a citar o Vasco da Gama na conversa por ser torcedor roxo, mas o criminoso estava tão focado no dinheiro que nem notou a piada.
Como funciona a mente dos golpistas?
Especialistas apontam que a principal arma do falso sequestro é o fator psicológico. Segundo o mestre em Segurança Pública, Thiago Andrade, esse tipo de crime costuma ter origem em unidades prisionais e é praticado tanto por detentos de forma aleatória quanto por quadrilhas especializadas.
"Muitas vezes, os criminosos ligam antes se passando por empresas de telemarketing ou fazem varreduras em redes sociais abertas para descobrir a rotina e os nomes dos parentes. Quando a vítima atende e, no desespero, pronuncia o nome de um filho, o bandido absorve aquela informação na hora e assume o controle total da narrativa", explica Andrade.
Guia de Sobrevivência: O que fazer se receber essa ligação?
O Sargento Gama e a Polícia Civil do Espírito Santo listaram orientações fundamentais para não se tornar mais uma estatística de prejuízo financeiro:
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Mantenha a calma: O desespero impede o raciocínio lógico. O choro ao fundo quase sempre é uma gravação genérica ou outro comparsa fingindo.
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Nunca diga nomes primeiro: Se o golpista disser "estou com seu filho", pergunte "qual o nome dele?". Nunca forneça dados voluntariamente.
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Use um nome fictício: Assim como o sargento fez ao inventar o nome "Joana", use um nome falso. Se o criminoso confirmar que pegou a "Joana", o golpe estará desmascarado na hora.
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Desligue e faça contato direto: Desligue o telefone imediatamente e tente ligar para o parente em questão por outra linha ou aplicativo de mensagem.
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Monitore suas redes sociais: Evite expor locais onde seus filhos estudam, rotinas diárias ou placas de veículos na internet.
A Polícia Civil reforça que, caso o cidadão seja vítima ou alvo de tentativa deste crime, deve registrar o boletim de ocorrência em qualquer delegacia. Denúncias sobre quadrilhas podem ser feitas anonimamente pelo Disque-Denúncia 181 ou pelo site oficial do órgão. Para crimes acontecendo em tempo real, acione imediatamente o 190.