SÃO PAULO / SP – Uma grande ofensiva interestadual contra o mercado da pirataria e a falsificação de artigos esportivos acendeu o alerta máximo nas forças de segurança nesta semana. Em operações distintas realizadas pelas Polícias Civis de São Paulo e do Rio de Janeiro, os agentes focaram no combate ao comércio ilegal de produtos voltados para a Copa do Mundo de Futebol de 2026.
As ações integradas de inteligência resultaram na apreensão de milhares de camisas adulteradas de seleções, centenas de milhares de cromos (figurinhas) falsos e na prisão em flagrante de cinco criminosos no coração do comércio popular paulistano.
O "Rapa" do DEIC no comércio popular de São Paulo
Na capital paulista, a investida ocorreu nesta quinta-feira (28), coordenada por policiais da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) Antipirataria, braço operacional do prestigiado Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC). O foco principal da fiscalização foi desmantelar depósitos e pontos de venda que abasteciam o comércio de rua às vésperas do mundial.
Os agentes federais e estaduais cercaram simultaneamente pontos estratégicos no Brás e no Centro Histórico de São Paulo:
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A Avenida Valtier, na região do Canindé (um dos maiores polos têxteis da América Latina);
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As ruas 24 de Maio e Dom José de Barros, localizadas no tradicional bairro da República.
Ao entrarem nos estabelecimentos alvos, os policiais civis apreenderam cerca de 2 mil camisas de seleções prontas para a venda — com especial destaque para réplicas de péssima qualidade do novo uniforme da Seleção Brasileira —, além de um volume impressionante de 85 mil álbuns e pacotes de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 sem qualquer comprovação de origem legal ou licenciamento da FIFA.
Durante o flagrante, cinco pessoas foram presas no local. Com base na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023) e na Lei de Propriedade Industrial, os detidos foram encaminhados à sede do DEIC e responderão formalmente por crimes contra a propriedade industrial e fraude comercial.
Inteligência no RJ: Cerco a coletivo intercepta 200 mil figurinhas na Baixada
O combate ao mercado paralelo de colecionáveis não ficou restrito a São Paulo. Dias antes, na quinta-feira da semana passada (21), a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) da Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou um golpe milionário na cadeia logística dos falsificadores na Baixada Fluminense.
Após semanas de um minucioso trabalho de monitoramento e cruzamento de dados de inteligência, os investigadores fluminenses identificaram uma rota de distribuição: um veículo de transporte coletivo que saía do município de Nova Iguaçu com o objetivo de espalhar o material ilícito por bancas de jornais e comércios de várias outras cidades do estado do Rio.
Munidos dessas informações, os policiais montaram um cerco tático em uma das principais vias de acesso da região e interceptaram o veículo suspeito. Ao realizarem a vistoria no compartimento de carga, a surpresa: foram localizadas aproximadamente 200 mil figurinhas falsificadas do álbum oficial da Copa de 2026, além de dezenas de camisas adulteradas da Amarelinha.
Próximos passos e o prejuízo bilionário
Todo o material confiscado nas duas operações estaduais foi devidamente catalogado e encaminhado para os institutos de criminalística, onde passarão por perícias técnicas para comprovar as fraudes de impressão, tecido e o uso indevido de marcas registradas.
As Polícias Civis de São Paulo e do Rio de Janeiro informaram que as investigações entram agora em uma segunda fase, considerada crucial: o mapeamento cibernético e financeiro para identificar e localizar as gráficas clandestinas e as confecções fabris responsáveis pela produção em massa dessas mercadorias no Brasil, além de investigar possíveis conexões com redes de contrabando internacional.
Autoridades relembram que a compra de produtos piratas, além de alimentar o crime organizado, lesa o consumidor com itens de baixa qualidade e gera um rombo na arrecadação de impostos que financiam serviços públicos essenciais.
Você já comprou o seu álbum da Copa deste ano? Fique atento aos sinais de falsificação!