FRUTAL, MG – Uma criança de apenas 4 anos, perdeu a vida após ser brutalmente agredido dentro de sua própria casa, na Rua Araguari, em Frutal (MG). O autor do crime, Felipe Palhares Queiroz, de 23 anos, confessou o ato e alegou que agiu por vingança devido a desentendimentos passados com a família.
Sequência de crueldade: do maus-tratos à invasão
O rastro de violência de Felipe começou antes mesmo de chegar à residência da vítima. Segundo registros da Polícia Militar, as primeiras denúncias via 190 relatavam que o homem havia amarrado as patas do cachorro da própria avó e arremessado o animal em um lago, causando sua morte por afogamento.
Pouco tempo depois, o autor invadiu uma residência na Rua Araguari. Armado com uma faca e uma ripa de madeira, ele pulou o muro e anunciou um assalto, exigindo um aparelho de televisão. A dona do imóvel foi agredida com socos e, sob ameaça, foi amarrada nos fundos da casa.
Ataque à criança com TEA
Em um esforço desesperado, a mãe tentou negociar com o invasor, oferecendo transferências via PIX para que ele fosse embora e não machucasse seu filho. No entanto, o cenário tornou-se crítico quando Brenner, que tinha Transtorno do Espectro Autista (TEA), entrou em crise de agitação devido ao barulho e à violência da invasão.
Irritado com a reação da criança, o criminoso desferiu golpes violentos contra a cabeça do menino utilizando a ripa de madeira. Após o espancamento, em um ato de extrema frieza, Felipe colocou o corpo da criança em um saco de lixo preto, carregou-o pela via pública e o abandonou a cerca de 150 metros da casa.
Brenner chegou a ser socorrido em estado gravíssimo e levado ao Hospital Frei Gabriel. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu ao traumatismo craniano e faleceu pouco depois de dar entrada na unidade.
Prisão e tentativa de linchamento
A Polícia Militar localizou o autor durante o rastreamento, mas o cenário era de alta tensão: Felipe estava cercado por moradores da região, que, armados com enxadas e facões, tentavam fazer justiça com as próprias mãos. A multidão se dispersou apenas com a intervenção policial.
O agressor resistiu à prisão, sendo necessário o uso de força física e gás de pimenta para contê-lo. Após ser levado para atendimento médico, ele foi encaminhado à delegacia.
Motivação: "Cabeça perdida" e vingança por som alto
Em depoimento formal, Felipe Palhares Queiroz admitiu o crime com detalhes. Ele afirmou que "estava com a cabeça perdida" e que o ataque foi planejado, tendo levado o saco de lixo, a faca e a madeira com a intenção de cometer o homicídio. O motivo seria uma desavença antiga relacionada a som alto de quando ele era vizinho da família.
Providências legais
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou a ratificação da prisão em flagrante de Felipe pelos crimes de homicídio qualificado e maus-tratos a animais.
"Instauramos o inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte da criança e aguardamos os laudos periciais de necropsia e levantamento do local", informou a corporação em nota. Testemunhas continuam sendo ouvidas para fechar o inquérito em até 10 dias. O criminoso foi transferido para o presídio local, onde segue à disposição do Poder Judiciário.