Operação Vulcano: MPMG e Polícia Militar deflagram 2ª fase contra o comércio ilegal de armas e munições em Minas

Investigação revela esquema de desvio de armas de delegacia e uso de registro de CAC para abastecer o crime organizado com munições de fuzil.

Uma megaoperação conjunta entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Militar (PMMG) sacudiu o estado na manhã desta quarta-feira (6). A segunda fase da Operação Vulcano mobilizou centenas de agentes para cumprir 56 mandados de busca e apreensão em 13 cidades mineiras, visando desarticular uma sofisticada rede de fornecimento bélico para o tráfico de drogas e gangues de crimes violentos.

A ação contou ainda com o suporte estratégico da corregedoria da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Balanço Parcial: Prisões e Arsenal Apreendido

 

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Até o final da manhã, os números da operação já impressionavam. Onze pessoas foram presas, das quais dez já possuíam antecedentes criminais, reforçando a periculosidade dos alvos. O "limpa" nas ruas resultou na apreensão de:

  • Armamento: 20 armas de fogo, incluindo pistolas, revólveres e rifles.

  • Munições: Aproximadamente 1.400 cartuchos de diversos calibres.

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  • Entorpecentes: 307 pedras de crack, 306 pinos de cocaína e uma barra de maconha.

  • Dinheiro: Cerca de R$ 33 mil em espécie, possivelmente oriundos do comércio ilícito.

O "Caminho das Armas": Desvios em Delegacia e Fraude de CAC

Um dos pontos mais alarmantes da investigação revelou que a organização criminosa possuía tentáculos dentro de instituições públicas e utilizava brechas legais.

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O MPMG apurou que parte das pistolas semiautomáticas e revólveres comercializados pelo grupo era receptada de desvios ocorridos na 1ª Delegacia da Polícia Civil do Barreiro, em Belo Horizonte. Após saírem ilegalmente da delegacia, as armas eram inseridas no mercado negro.

Além disso, a investigação, iniciada no primeiro semestre de 2025, identificou um indivíduo com registro de CAC (Caçador, Atirador e Colecionador) que utilizava sua condição legal para adquirir munições no comércio regular e desviá-las para o crime. Entre o material fornecido às facções, destacam-se milhares de cartuchos para armas de guerra, como fuzis 5.56 e 7.62, além de munições 9mm.

Raio-X da Operação

A força-tarefa espalhou-se por diversas regiões de Minas Gerais, com mandados cumpridos em:

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Belo Horizonte, Betim, Contagem, Santa Luzia, Ibirité, Sarzedo, Ribeirão das Neves, São Joaquim de Bicas, Pompéu, Januária, Mário Campos, Capelinha e Montes Claros.

Para viabilizar a ação, foram empenhados 250 policiais militares, nove policiais penais e servidores da Sejusp, além de promotores e servidores do Gaeco.

Histórico e Próximos Passos

Esta fase consolida um trabalho iniciado em dezembro de 2025, quando a primeira etapa da Operação Vulcano prendeu 17 pessoas e apreendeu 33 armas e mais de 7 mil munições. As ordens judiciais atuais foram fundamentadas em uma análise minuciosa de inteligência, incluindo a quebra de sigilo telemático (redes sociais), interceptações telefônicas e o rastreamento de operações bancárias suspeitas.

O nome da operação, "Vulcano", faz referência ao deus romano do fogo e dos metais, responsável pela forja das armas dos deuses, simbolizando o foco da investigação no fornecimento dos instrumentos utilizados para a violência urbana.

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