Na manhã desta quarta-feira (6), o cenário da segurança pública em Minas Gerais foi marcado por uma ofensiva sem precedentes. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Gaeco e das Promotorias de Combate ao Crime Organizado, em parceria com a Polícia Militar, deflagrou a terceira fase da Operação Ícaro. O objetivo central é o desmantelamento definitivo da estrutura da facção criminosa Comando Vermelho (CV) que tentava se consolidar na Zona da Mata mineira.
Números Expressivos e Alcance Geográfico
A magnitude da operação reflete a complexidade da organização criminosa. Ao todo, foram expedidos mais de 200 mandados judiciais pelas quatro Varas Criminais de Juiz de Fora, abrangendo não apenas a principal cidade da região, mas também Eugenópolis, Matias Barbosa e a capital do Rio de Janeiro, de onde partem muitas das ordens da cúpula da facção.
A força-tarefa apresentou um balanço contundente:
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60 mandados de prisão (com 49 prisões já efetuadas até o final da manhã);
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80 mandados de busca e apreensão;
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66 mandados de sequestro de veículos;
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Bloqueio de R$ 8,4 milhões em contas bancárias, valores em espécie e bens móveis/imóveis.
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Foco na Asfixia Financeira e Hierarquia
Diferente de operações focadas apenas no varejo do tráfico, a Fase 3 da Operação Ícaro mirou a espinha dorsal do grupo. Segundo o MPMG, a investigação qualificada do Gaeco conseguiu mapear o fluxo financeiro e a hierarquia dos autores.
Os alvos incluem desde lideranças estaduais e gerentes operacionais até os chamados "disciplinas" — membros responsáveis por ditar e fiscalizar as regras internas da facção e monitorar o comportamento de moradores em comunidades sob seu domínio. Ao menos cinco bairros de Juiz de Fora (Nova Era, Dom Bosco, Vila Montanhesa, Vista Alegre e Grama) estavam sob forte influência dessas células criminosas.
"Não haverá espaço para facções", afirma Governador
Em coletiva de imprensa, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e o procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, reforçaram a integração entre as instituições como a principal arma contra o crime organizado.
"A operação comprova que, com esforço coordenado, os resultados são robustos. Estamos dando um recado claro: em Minas Gerais, o crime organizado não terá espaço", destacou Simões.
O procurador-geral, Paulo de Tarso, reiterou que a missão institucional é atacar o crime em sua raiz, debelando estruturas para forçar o recuo dessas organizações no estado.
Mobilização de Elite
Para garantir o sucesso da missão e a segurança da população, um aparato de elite foi mobilizado. De Belo Horizonte, deslocaram-se unidades do Comando de Missões Especiais (Bope, Rotam e Choque), além de apoio do Batalhão de Eventos e policiamento ambiental e rodoviário.
O efetivo total contou com a participação de:
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Polícia Militar: Unidades locais (2º, 27º e 47º BPMs);
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Polícia Civil: 40 agentes (Departamento de Operações Especiais);
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Polícia Penal: 24 agentes do Comando de Operações Especiais (COE) e Inteligência do Depen;
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Ministério Público: 5 promotores de Justiça e 13 agentes do Gaeco.
O Significado do Nome: A Queda de Ícaro
O nome da operação é uma metáfora direta à mitologia grega: assim como Ícaro tentou um voo audacioso e caiu ao chegar perto demais do sol, a investigação sugere que a tentativa de expansão da facção carioca para o território mineiro culminou em sua queda abrupta.
Até o momento, além das prisões, foram apreendidas quantidades expressivas de drogas, armas, munições e dinheiro, que ainda passam por contagem oficial para o fechamento do boletim de ocorrência.