Operação Ícaro: Forças de Segurança de MG Asfixiam Finanças do Comando Vermelho na Zona da Mata

Com mais de 200 mandados cumpridos e bloqueio de R$ 8,4 milhões, terceira fase da operação é a maior ofensiva já registrada contra a facção em Juiz de Fora.

Na manhã desta quarta-feira (6), o cenário da segurança pública em Minas Gerais foi marcado por uma ofensiva sem precedentes. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Gaeco e das Promotorias de Combate ao Crime Organizado, em parceria com a Polícia Militar, deflagrou a terceira fase da Operação Ícaro. O objetivo central é o desmantelamento definitivo da estrutura da facção criminosa Comando Vermelho (CV) que tentava se consolidar na Zona da Mata mineira.

Números Expressivos e Alcance Geográfico

A magnitude da operação reflete a complexidade da organização criminosa. Ao todo, foram expedidos mais de 200 mandados judiciais pelas quatro Varas Criminais de Juiz de Fora, abrangendo não apenas a principal cidade da região, mas também Eugenópolis, Matias Barbosa e a capital do Rio de Janeiro, de onde partem muitas das ordens da cúpula da facção.

A força-tarefa apresentou um balanço contundente:

Foco na Asfixia Financeira e Hierarquia

Diferente de operações focadas apenas no varejo do tráfico, a Fase 3 da Operação Ícaro mirou a espinha dorsal do grupo. Segundo o MPMG, a investigação qualificada do Gaeco conseguiu mapear o fluxo financeiro e a hierarquia dos autores.

Os alvos incluem desde lideranças estaduais e gerentes operacionais até os chamados "disciplinas" — membros responsáveis por ditar e fiscalizar as regras internas da facção e monitorar o comportamento de moradores em comunidades sob seu domínio. Ao menos cinco bairros de Juiz de Fora (Nova Era, Dom Bosco, Vila Montanhesa, Vista Alegre e Grama) estavam sob forte influência dessas células criminosas.


"Não haverá espaço para facções", afirma Governador

Em coletiva de imprensa, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e o procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, reforçaram a integração entre as instituições como a principal arma contra o crime organizado.

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"A operação comprova que, com esforço coordenado, os resultados são robustos. Estamos dando um recado claro: em Minas Gerais, o crime organizado não terá espaço", destacou Simões.

O procurador-geral, Paulo de Tarso, reiterou que a missão institucional é atacar o crime em sua raiz, debelando estruturas para forçar o recuo dessas organizações no estado.

Mobilização de Elite

Para garantir o sucesso da missão e a segurança da população, um aparato de elite foi mobilizado. De Belo Horizonte, deslocaram-se unidades do Comando de Missões Especiais (Bope, Rotam e Choque), além de apoio do Batalhão de Eventos e policiamento ambiental e rodoviário.

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O efetivo total contou com a participação de:

  • Polícia Militar: Unidades locais (2º, 27º e 47º BPMs);

  • Polícia Civil: 40 agentes (Departamento de Operações Especiais);

  • Polícia Penal: 24 agentes do Comando de Operações Especiais (COE) e Inteligência do Depen;

  • Ministério Público: 5 promotores de Justiça e 13 agentes do Gaeco.

O Significado do Nome: A Queda de Ícaro

O nome da operação é uma metáfora direta à mitologia grega: assim como Ícaro tentou um voo audacioso e caiu ao chegar perto demais do sol, a investigação sugere que a tentativa de expansão da facção carioca para o território mineiro culminou em sua queda abrupta.

Até o momento, além das prisões, foram apreendidas quantidades expressivas de drogas, armas, munições e dinheiro, que ainda passam por contagem oficial para o fechamento do boletim de ocorrência.

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