ITAÚNA (MG) – O que parecia ser um crime de feminicídio comum tomou um rumo inesperado e trágico na última sexta-feira (7). A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) efetuou a prisão preventiva de um jovem de 21 anos, suspeito de envolvimento direto na morte de sua irmã, uma mulher de 39 anos. O crime ocorreu em uma lagoa isolada na zona rural de Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais.
O Crime: Localização e Perícia
O corpo da vítima foi descoberto no último dia 30 de janeiro, boiando em uma lagoa na região do Calambau. Durante a perícia técnica, os investigadores confirmaram que a mulher foi morta com extrema violência, apresentando múltiplas perfurações causadas por um objeto perfurocortante (possivelmente uma faca ou punhal).
Inicialmente, as suspeitas recaíram sobre o ex-companheiro da vítima, que chegou a ser detido. No entanto, por falta de provas técnicas no momento do flagrante, ele foi colocado em liberdade, enquanto a PCMG trabalhava silenciosamente nos bastidores para traçar os passos finais da vítima.
A Tecnologia como Peça-Chave
A investigação deu um salto quando a inteligência da Polícia Civil passou a analisar o sistema de monitoramento viário da cidade. Imagens e registros de radares na rodovia MG-431 revelaram um dado crucial: o carro do irmão da vítima passou em frente à Universidade de Itaúna exatamente às 01h42 da madrugada do crime, seguindo no sentido Pará de Minas — rota que dá acesso direto à região do Calambau.
Confronto de Versões e Confissão
Intimado a depor na tarde de sexta-feira (6), o suspeito tentou sustentar uma história de inocência. Contudo, os investigadores apresentaram os registros de horários e a localização do veículo, expondo graves contradições em seu depoimento. Acuado pelas evidências, o jovem acabou confessando sua participação no ocorrido.
A cronologia relatada pelo suspeito aponta para um plano macabro:
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00h00: Ele e a irmã saíram de casa no carro dele.
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Parada estratégica: Passaram em um posto de combustíveis antes de seguir para a rodovia.
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O "terceiro elemento": O jovem alega que um homem desconhecido entrou no veículo durante o trajeto e os acompanhou até a lagoa, onde o assassinato foi executado.
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Pós-crime: Após a morte da irmã, ele teria retornado para sua residência como se nada tivesse acontecido.
Prisão e Apreensões
Diante da gravidade dos fatos e do risco de fuga ou obstrução, a PCMG representou imediatamente pela prisão preventiva, que foi deferida pela Justiça no mesmo dia.
Além da prisão do suspeito, os policiais apreenderam:
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O veículo utilizado para o transporte da vítima até o local da morte.
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O aparelho celular do investigado, que passará por perícia digital para identificar conversas e possíveis coautores.
Investigações em Aberto
A Polícia Civil agora trabalha para identificar o suposto terceiro envolvido mencionado pelo irmão e para entender a motivação por trás de um crime tão bárbaro entre familiares. O suspeito foi levado para o sistema prisional, onde aguardará o julgamento por homicídio qualificado.