ASSUNÇÃO (PARAGUAI) — O juiz Humberto Otazu decretou a prisão preventiva do ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña. A decisão foi anunciada ao final da audiência de custódia realizada no Palácio da Justiça.
A medida cautelar atende ao pedido do Ministério Público paraguaio, que também determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros do ex-mandatário. Por questões de segurança, Peña cumprirá a prisão preventiva no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção, onde já permanecia sob custódia.
Entenda as Acusações e a Investigação
A queda política e a prisão de Santiago Peña estão diretamente ligadas ao escândalo financeiro e à liquidação judicial do Ueno Bank. A instituição bancária digital teve suas operações encerradas pelo Banco Central do Paraguai (BCP) após apresentar uma derrocada em suas reservas operacionais, deixando centenas de milhares de correntistas sem acesso a depósitos.
O Ministério Público acusa o ex-presidente dos seguintes crimes e irregularidades:
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Lesão de Confiança e Administração em Benefício Próprio: Peña foi acionista do grupo controlador da instituição até 2025 e é suspeito de utilizar o cargo público para favorecer a instituição e intervir indevidamente na fiscalização regulatória do BCP;
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Conflito de Interesses na Alta Cúpula: A nomeação do presidente do BCP, Carlos Carvallo — ex-dirigente da própria instituição bancária —, levantou fortes suspeitas de vista grossa na supervisão das finanças do banco;
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Evolução Patrimonial Suspeita: Investigações apontam que o patrimônio pessoal de Peña sofreu um salto expressivo nos últimos anos, multiplicando-se por mais de 20 vezes durante seu mandato.
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O Ministério Público estima que o prejuízo decorrente das operações irregulares associadas ao conglomerado financeiro alcance cerca de US$ 809,5 milhões (mais de R$ 4 bilhões).
Da Crise no Ueno Bank ao Impeachment
A crise escalou rapidamente ao longo da primeira semana de novembro. O colapso do Ueno Bank desencadeou intensos protestos populares e manifestações nas ruas da capital, com cidadãos exigindo a devolução de suas economias e o fim da impunidade política.
Pressionado pela opinião pública e pela perda de apoio no próprio Congresso, Peña chegou a apresentar uma carta de renúncia. No entanto, o Senado ignorou a desistência e deu prosseguimento ao julgamento político de impeachment, culminando na destituição formal do cargo.
Sem a proteção da imunidade presidencial, o mandado de detenção contra Peña foi cumprido pela Polícia Nacional, culminando na ratificação da prisão preventiva pela Justiça ordinária.
Com a destituição de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Poder Executivo no Paraguai em meio a esforços do governo para estabilizar o sistema financeiro e ressarcir os correntistas afetados.