BRASÍLIA – O ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde o dia 13 de março no Hospital DF Star, em Brasília, apresenta uma evolução clínica estável e sem intercorrências graves nas últimas 24 horas. A informação consta no boletim médico divulgado pela unidade hospitalar na manhã deste sábado (21). Apesar da melhora progressiva, o ex-mandatário permanece sob cuidados intensivos e sem previsão de alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Detalhes do Quadro Clínico
Bolsonaro trata uma pneumonia bacteriana bilateral, quadro que se desenvolveu após um episódio de broncoaspiração. De acordo com a equipe médica, o tratamento atual envolve:
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Antibioticoterapia endovenosa: Combate direto à infecção pulmonar.
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Fisioterapia respiratória e motora: Auxílio na recuperação da capacidade pulmonar e manutenção da mobilidade.
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Suporte clínico intensivo: Monitoramento constante de sinais vitais.
A novidade do boletim deste sábado é o início de um tratamento odontológico. O ex-presidente relatou dores agudas na região mandibular direita, o que exigiu a intervenção de especialistas da unidade para evitar novos focos de inflamação ou desconforto que possam comprometer a recuperação geral.
Ofensiva Jurídica: O Pedido de Prisão Domiciliar
Paralelamente ao estado de saúde, o cenário jurídico de Bolsonaro — que cumpre pena de 27 anos e 3 meses no 19º Batalhão da Polícia Militar (conhecido como "Papudinha") — entrou em uma fase decisiva.
Na última sexta-feira (20), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitou formalmente um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o pedido de prisão domiciliar humanitária protocolado pela defesa. O movimento ocorre após o ministro analisar o prontuário médico detalhado enviado pelo hospital, que descreve os exames, medicamentos e as condições gerais de custódia do ex-presidente.
Pressão Política e Mediação
A semana foi marcada por uma intensa articulação política para retirar Bolsonaro do ambiente prisional. O senador Flávio Bolsonaro, agora também registrado como um dos advogados do pai, reuniu-se pessoalmente com o ministro Moraes.
"O argumento central é que o ambiente carcerário não oferece o acompanhamento constante e especializado necessário para o quadro atual, o que poderia acarretar um risco iminente de morte", destacou Flávio após o encontro, que classificou como "objetivo".
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também reforçou o coro junto ao STF, utilizando seu capital político para endossar a tese de que a reclusão domiciliar é a medida mais adequada diante da gravidade da infecção pulmonar constatada.
Próximos Passos
A PGR tem agora o prazo legal para se manifestar. Somente após receber este parecer, o ministro Alexandre de Moraes deverá decidir se concede ou não o benefício da prisão domiciliar. Até lá, o ex-presidente permanece sob custódia do Estado, com segurança reforçada no Hospital DF Star, onde continua o tratamento por tempo indeterminado.