Imersa no processo de recuperação judicial desde junho de 2016, a Oi viu concorrentes avançarem sobre seus clientes na maior parte do País. Sem dinheiro para investir como as rivais, a operadora perdeu espaço no mercado de telefonia móvel em 19 Estados e no Distrito Federal, segundo levantamento feito pelo ‘Estado’ a partir de dados da consultoria Teleco. Ao fim de 2017, tinha 38,9 milhões de linhas de celular, queda de 8% frente ao ano anterior. No Brasil como um todo, a redução foi de 3%.
A Vivo foi, de longe, a operadora que mais aproveitou o momento de crise da Oi. Mesmo com liderança folgada no mercado nacional, a tele controlada pela espanhola Telefônica seguiu avançando em quase todos os Estados - caiu só no Tocantins e no Rio Grande do Norte. Foi a única das quatro grandes que, em vez de ver redução no número de linhas, fechou 2017 com uma base maior de clientes.

O número de celulares pré-pagos do País, que por anos puxou o avanço do setor, vem caindo desde o segundo trimestre de 2016. A crise econômica e a popularização do uso do aplicativo WhatsApp para fazer ligações fizeram com que os brasileiros começassem a abandonar o hábito de ter um chip de cada operadora, diz Eduardo Tude, sócio da consultoria Teleco.

O movimento vem atingindo todas as teles, que iniciaram políticas agressivas para desconectar esses chips inativos - elas pagam tributos em cima do número total de celulares de sua base. Por isso, o jogo entre as gigantes da telefonia ficou mais agressivo no pós-pago.

Foi justamente nesse terreno em que a Oi mais sangrou - e a Vivo fez a festa. Enquanto Tim, Claro e Vivo aumentaram o número de linhas em 2017 no pós-pago, a Oi perdeu clientes nesse segmento em todos os trimestres. Ao fim do ano, foram 115 mil linhas a menos.

Claro e Tim avançaram no pós-pago, mas não a ponto de compensar a queda no número de clientes de pré-pago. Já na Vivo o aumento do número de linhas pós-pago superou as perdas com chips do pré-pago.

Na briga pelo cliente disposto a pagar conta todo mês, a Oi se viu em desvantagem por sua devastadora situação financeira. Devendo R$ 64 bilhões, pediu proteção da Justiça para não quebrar em junho de 2016, na maior recuperação judicial já feita no País. As negociações se arrastaram por 18 meses. Para evitar a falência da tele, os credores concordaram dar descontos na dívida e receberem em até 17 anos. Parte deles se tornará sócio da Oi, que receberá aporte de R$ 4 bilhões.


A matéria continua após a publicidade