A crise financeira que afeta todas as instâncias do setor público e privado brasileiro fez até o samba desandar. Com poucos recursos em caixa e amargando queda e atraso em repasses, um grande número de municípios mineiros – famosos pelos festejos de Carnaval – cancelou verbas para a folia, que pelo calendário nacional começa em duas semanas. A alegação das prefeituras é a de que o momento é de priorizar, na distribuição orçamentária, áreas como saúde e educação, sem falar nos esforços para manter em dia o pagamento do funcionalismo.

É o caso de Cataguases, com 75 mil habitantes, na Zona da Mata, uma das primeiras a anunciar a suspensão da festa de Momo. Segundo a prefeitura, a decisão foi tomada em 9 de janeiro, depois de reunião entre os secretários municipais e o prefeito Willian Lobo. Diante da crise e da queda de repasses de impostos e de recursos, não houve saída.

“O pagamento dos servidores atrasou no início de janeiro pela primeira vez na atual gestão e, para regularizar a situação, optamos por cancelar a festa”, informou a assessoria da prefeitura.

Também na vizinha Leopoldina, com 57 mil habitantes, o temor de que faltasse dinheiro para ações consideradas mais importantes forçou a prefeitura a mudar de planos quanto ao Carnaval. “Havíamos previsto R$ 150 mil para a festa, que todos os anos contava com desfile de escolas de samba e bailes populares”, diz a secretária de Cultura da cidade, Jussara Thomaz. “Infelizmente, resolvemos suspender a destinação desse dinheiro principalmente para tentar garantir o pagamento de fornecedores e evitar um colapso no atendimento à população”, acrescenta, lembrando que a decisão não afeta iniciativas como os blocos de rua, que não dependem de verba municipal.

A pequena Gonçalves, situada na região da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas, foi outra a vetar o uso de recursos públicos para a folia. De acordo com o chefe de gabinete da prefeitura, Carlos Hernani, a medida deve evitar um gasto de R$ 140 mil do orçamento anual. “Com a crise e os atrasos no recebimento de verbas, precisamos priorizar áreas como saúde, manutenção de estradas municipais e pagamento de fornecedores”, afirma. 



A matéria continua após a publicidade