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Primeiro dia do Fliaraxá trouxe música, feira gastronômica e debate sobre utopia

15/11/2017
Fernanda Takai lançou livro infantil e Mia Couto, escritor homenageado, falou sobre influências, entre elas a de Guimarães Rosa 

Por: Poliana Napoleão

 
Araxá volta a ser a capital brasileira da literatura. Começou nesta quinta-feira, dia 15, o VI Festival Literário Fliaraxá, pela primeira vez, realizado no Tauá Grande Hotel. Em meio a muita música e uma ampla feira gastronômica, o primeiro dia registrou lançamentos de livros, entre eles o da Fernanda Takai, O cabelo da menina, e um painel sobre a prática da escrita, com a presença de Mia Couto.O autor moçambicano é o homenageado desta edição, que traz como tema “Língua, Leitura e Utopia”. “São três vértices que se encontram, fazem um movimento giratório e constroem um mundo melhor”. Couto entende que a utopia está em boa parte de sua obra, sobretudo em seu último livro, “A Espada e a Azagaia”. “O conceito carrega o simbolismo da linha do horizonte, onde se avista o que idealizamos”.É a primeira vez de Mia Couto na cidade. O escritor, porém, tem em Guimarães Rosa, mineiro de Cordisburgo, uma de suas principais referências. “Ele inventa o território em que escreve, uma tarefa que também carrego”. Além de Rosa, Couto reserva um respeito especial a José Saramago, patrono do Fliaraxá, de quem foi amigo. “Tive a sorte de conviver com ele, que considero mestre e que abriu muitas portas aos escritores de língua portuguesa”.Afonso Borges, idealizador e curador do festival, vai comandar o painel em que Couto estará presente. Mais do que celebrar a língua, Afonso considera o evento um relevante promotor da cidade, principalmente por levar, de forma gratuita, conteúdo e entretenimento aos moradores.  “Nos próximos dias vocês vão me ouvir falar obrigado várias vezes”, disse, na abertura do festival. Ele ressaltou a presença de crianças e estudantes, muitos da rede pública. “É gratificante perceber que o nosso trabalho está fortalecendo uma nova geração de leitores”.

 
Escritora de Araxá, Vilma Cunha. #Fliaraxá #LínguaLeituraeUtopia #Araxá 
 
Autógrafos e lançamentos

Ao todo, mais de 80 autores passarão pelos palcos do festival. Entre eles, o pernambucano José Francisco Borges (J. Borges) que, assim como Couto, agradece ao Saramago pelo crescimento na carreira. Já reconhecido como grande nome da literatura de cordel, Borges foi convidado, há alguns anos, a ilustrar em xilogravura a última edição de “O lagarto”, um dos livros mais lidos do nobel português.  “O meu objetivo foi captar a história dele e conta-la com o olhar da minha terra”, explicou o artista, nascido na cidade de Bezerros, Pernambuco. “Gostei do resultado e da repercussão que o livro deu”. Algumas das peças de Borges estão expostas em uma das salas do hotel.Na fila para lhe pedir um autógrafo estava o cônsul de Portugal João Pignatelli, representante do Instituto Camões. “Só a possibilidade de conhece-lo já me valeria a viagem”. Pignatelli, que estará em um debate sobre intercâmbios artísticos entre Brasil e Portugal, agendado para quinta-feira, dia 16, elogiou a estrutura do evento. “Para mim, é uma oportunidade rara de conhecer e trocar ideias com artistas espetaculares”.

Não só o ilustrador pernambucano deu autógrafos no primeiro dia do Fliaraxá. Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu, também balançou a caneta no lançamento do seu mais novo livro, o segundo para o público infanto-juvenil, chamado “O cabelo da menina”. A história fala sobre um episódio vivido por ela e a sua filha, Nina, hoje com 14 anos. “Ela, bem pequena, acordou um dia toda descabelada e decidiu ir para a escola daquele jeito diferente”. O livro, segundo Fernanda, fala um pouco sobre essa espontaneidade, que costuma desaparecer à medida que ficamos adultos. “A sociedade vai nos deixando iguais, nos colocando em prateleiras, e a gente se acostuma com isso”.  
Música e comida 

Antes de subir ao palco montado na ala esquerda do hotel, para um show com o Pato Fu, Fernanda percorreu a livraria de mais de 600 m2 e milhares de exemplares. A área externa ainda conta com uma grande feira de gastronomia, onde 25 expositores oferecem de cerveja a artesanal à comida mexicana.  



“Literatura tem tudo a ver com os sabores”, explica Kuru Lima, da Cria Cultura, um dos parceiros na organização da área gastronômica do festival. “É aquela ideia de alimentar o corpo e o espírito”.No primeiro dia, além do Pato Fu, subiram no palco de shows a Orquestra Popular de Araxá, um grupo de crianças cantando o repertório dos Beatles e o cantor Celso Adolfo. Coube a ele, na abertura do evento, tocar um novo arranjo para Dona Beja, composta por Wagner Tiso e Fernando Brant, considerada mais um símbolo da cidade. 

O Fliaraxá é apresentado pelo Ministério da Cultura e Circuito CBMM de Cultura. Todas as atividades têm acesso livre graças à Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura), com o apoio cultural do Itaú e da Fundação Roberto Marinho. A realização é da Associação Cultural Sempre Um Papo.

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Primeiro dia do Fliaraxá trouxe música, feira gastronômica e debate sobre utopia Reviewed by DestakNews Brasil on 19:31 Rating: 5
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