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Sete mil detentos fazem artesanato em 118 unidades prisionais mineiras

05/10/2017
Detentos podem ajudar a família com a renda dos produtos artesanais; as peças são comercializadas fora do ambiente das prisões
Hoje em Dia
 (Foto: Seap/Divulgação)
Ocupar o tempo e até mesmo ter uma renda para ajudar a família. Essa é a realidade de detentos de 118 estabelecimentos prisionais mineiros. Neles, algum tipo de artesanato é produzido pelos presos. No Estado, ao todo, são 60 mil pessoas privadas de liberdade em 210 unidades.
De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), são 6.924 presidiários de ambos os sexos produzindo 918 itens do artesanato, utilizando diversos tipos de matéria-prima.
Segundo a subsecretária de Humanização do Atendimento do órgão, Emília Castilho, Minas é o primeiro Estado do Sudeste inserido em atividades de trabalho em todas as áreas no sistema penitenciário.
Comercialização
Além de terem o ofício no período de reclusão, os presos ainda ajudam a família com a renda arrecadada com os produtos comercializados. As peças artesanais são vendidas pelos parentes fora da cadeia. São eles, inclusive, que levam os insumos para o detento fazer a produção nas unidades.
A outra forma de comercialização é por meio do Conselho da Comunidade, gerenciado pelo Judiciário. A entidade fornece a matéria-prima e vende os produtos externamente. Parte da renda é destinada ao presidiário ou à família dele. O restante é investido na aquisição de insumos e na própria unidade prisional.

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Benefício
Com o trabalho artesanal, os detentos também podem reivindicar a remição da pena, concedida pela Justiça. Para conseguir o benefício, a atividade na prisão precisa ter expressão econômica. “O artesanato é muito forte na cultura mineira. Por isso, nos presídios onde é possível essa prática, com espaço adequado, a gente acompanha, contabiliza as horas trabalhadas pelo preso e geralmente os juízes decidem favoravelmente”, afirma Emília Castilho.
A subsecretária reconhece que a maioria dos produtos produzidos no sistema penitenciário depende da participação das famílias, que levam o material para os detentos e depois retornam para buscar o produto pronto. “Achamos fundamental que haja real possibilidade de ocupação do preso. Vamos buscar uma parceria mais efetiva com a Secretaria de Estado de Educação para capacitação e junto à Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) buscaremos o cooperativismo como alternativa para viabilizar a gestão do artesanato nos presídios”, observa Emília.
Estatísticas
Conforme dados das diretorias de Ensino e Profissionalização e de Trabalho e Produção, os números de pessoas priv[/TEXTO]adas de liberdade trabalhando em Minas chegam a 18.908 e, estudando, 9.449.
Estes correspondem a quase 50% da população carcerária envolvida com atividades que facilitam a reinserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena.
Governo busca parceria para ampliar a atividade 
O governo do Estado espera construir novas parcerias para profissionalizar os interessados no ofício das artes, bem como a gestão por meio de cooperativas nos presídios. Segundo o superintendente de Trabalho e Ensino da Seap, Guilherme Araújo Alves Lima, os presos precisam de mais possibilidades dentro do artesanato, como a qualificação para aqueles que têm vocação, e considera fundamental a disposição do governo de expandir as possibilidades de profissionalização no presídio onde existe espaço para as atividades.
Ele afirma que o Executivo estadual está aberto a parcerias com empresas e ONGs para fomentar o artesanato nos presídios. “Há um desconhecimento das facilidades para se construir essas parcerias, pois falta informação à sociedade”.
Exemplo
A Penitenciária Francisco Floriano de Paula, em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, é exemplo dessas parcerias. Dos 1.286 presos, (922 em regime fechado e 364 no semiaberto), cerca de 820 fazem alguma atividade e 90 trabalham fora durante o dia e apenas dormem na prisão.
Outros cuidam da limpeza, jardinagem, horticultura, suinocultura e reciclagem do lixo. Vinte e seis detentos participam da oficina de corte e costura e também há quem corte cabelo dos detentos.
Vilmar Nunes Gomes, de 40 anos, aprendeu a fazer jogos de banheiro, tapetes e bolsas utilizando linhas e barbantes. É a mãe dele que vende as peças nas ruas de Valadares. “Esse trabalho distrai a minha mente, me ajuda financeiramente e ainda consigo a remição da pena”, comemora Gomes.
Caso de sucesso
A Penitenciária de Três Corações, no Sul de Minas, é um dos maiores casos de sucesso na produção de artesanato. Durante seis anos, a professora e artesã Wanda Oliveira capacitou dezenas de artesãs no presídio. 
A qualidade dos produtos, inclusive, possibilitou a abertura temporária de uma loja em parceria com a Associação pela Solidariedade ao Recuperando (Assolar), entidade mantida pela Vara de Execuções Penais da Justiça local. Desativado, o estabelecimento será retomado em 2018 e poderá ser replicado para outras cidades mineiras. Também são expressivos trabalhos realizados nos presídios de Ipaba, Muriaé, Araçuaí, Governador Valadares, Alfenas, Contagem, Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Abaeté, entre outros.
Mostra
Em maio, houve exposição na galeria de arte da Assembleia Legislativa com a participação de detentos da Penitenciária Nelson Hungria (em Contagem), Presídio Inspetor José Martinho Drumond (Ribeirão das Neves) e Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) de Santa Luzia. Outro espaço para venda do artesanato é a feira periódica que ocorre na Cidade Administrativa. Por lá são comercializadas peças de detentos de dez unidades prisionais.
Sete mil detentos fazem artesanato em 118 unidades prisionais mineiras Reviewed by DestakNews Brasil on 10:31 Rating: 5
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