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Rio tem 3 PMs mortos por semana; 'Parece que a gente está numa fila esperando a nossa vez'

27/08/2017

Cabo Louzada ficou conhecida por ser a única mulher que participou da ocupação do Alemão

Agência Estado


Há 10 anos na corporação, cabo Louzada não esconde o medo de sair para trabalhar Foto: Fabio Motta/Estadão
RIO - Com 100 policiais mortos no ano - três por semana -, o último deles neste sábado, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, o Rio vive uma situação tensa. Em cenário de escalada da violência, policiais militares reclamam da falta de apoio do Estado – desde a má condição dos equipamentos até o escasso suporte para agentes feridos. 
“Parece que a gente está numa fila esperando nossa vez”, diz a cabo Flávia Louzada, de 36 anos. Conhecida por ser a única PM na ocupação de 2010 do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, ela não esconde o medo de sair para trabalhar todo dia. Há 10 anos na corporação, ninguém em sua casa dorme até que chegue. “A gente sai de casa como se fosse a ultima vez.” Sua relação próxima com a violência começou cedo, aos 11 anos, quando sua mãe, professora, foi morta por um aluno.
Flávia criou, há seis anos, a ONG A Vida do Policial é Sagrada como Toda Vida É, que auxilia famílias de PMs mortos e agentes feridos em serviço. Dos 100 neste ano, a maioria não estava no trabalho – 59 de folga e outros 20 eram da reserva. Em todo 2016, foram 146.

“Damos assistência a essas pessoas que, por causa da burocracia, ficam abandonadas à própria sorte”, diz. A ajuda envolve doação de insumos hospitalares, próteses e até ajuda em funerais. “Este ano mesmo, um policial teve a perna amputada no Alemão, em serviço na UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Jogaram granada nele, e o Estado não teve nem como pagar a prótese. Nós pagamos com doação”, afirma Flávia.
“Costumam dizer que a polícia é o braço armado do Estado. Somos o braço amputado do Estado, porque ele nos virou as costas. Antes mesmo da crise não tínhamos a assistência que merecíamos”, desabafa.
Para Flávia, a PM “está sucateada”, sem viaturas e armamentos em boas condições. “Para ser ter ideia da contradição, a cabine da PM em Copacabana, na sem zona sul, é blindada e as de dentro das UPPs não são, não têm janela nem banheiro.” Na semana passada, ela foi ao enterro de uma colega, morta em assalto. “Pensei: será que amanhã sou eu neste caixão? 
Ela destaca que a situação da PM não é só um problema da Polícia, como da sociedade. "Se nós que somos pagos para combater a violência estamos morrendo, como é que eu vou poder dizer para o cidadão que ele pode andar com segurança nas ruas ? Nós já tínhamos um efetivo aquém da necessidade, agora com as mortes fica menor ainda, fora os policiais que estão querendo sair por estas condições precárias de trabalho", diz.

Amor à profissão. Questionada sobre como os policiais conseguem driblar o medo se serem mortos e tiram forças para trabalhar, ela responde que é "pelo amor a profissão". 
"Não é por dinheiro. Nosso salário sempre está atrasado. Não temos escala justa de descanso. A morte de um policial não deveria ser vista como algo rotineiro, é algo que não deveria acontecer. Não entramos para a corporação com o sonho de morrer. Nós não somos suicidas. Somos a última barreira entre o cidadão e o crime e, quando essa barreira é quebrada, vira um problema que todos devemos nos preocupar", disse.
Procurada sobre as críticas dos agentes ouvidos pelo Estado, a Secretaria de Segurança Pública não respondeu.

 

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