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'Ele dizia que ia me matar', conta caminhoneiro sequestrado na Avenida Brasil

07/08/2017

Antonio Euclides Ribeiro foi feito refém, na noite deste domingo, enquanto transportava um veículo de carga na via

O Dia


O caminhoneiro Antonio Euclides Ribeiro foi ferido na perna durante o sequestro Severino Silva / Agência O Dia

 

Rio - O caminhoneiro Antonio Euclides Ribeiro prestou depoimento na Cidade da Polícia na manhã desta segunda-feira. O motorista foi feito refém em um caminhão de carga, no fim da noite deste domingo, na Avenida Brasil, na altura de Deodoro.
Antonio contou que o bandido estava nervoso e apontou a arma para a cabeça dele. "Toda hora ele dizia que iria me matar se eu deixasse os policiais passarem, se eu não corresse. Quando ele colocou a arma na minha cabeça eu só pensava nos meus dois filhos. Pensei que eu iria morrer, ele me apavorou o tempo todo. Quando começaram os tiros tive a certeza de que iria morrer", desabafou o motorista, de 36 anos, que ficou refém do assaltante por três horas.
A troca de tiros começou quando PMs dispararam contra os pneus da carreta, parando o veículo. Emerson Garcia Miranda de 19 anos, revidou o ataque. Ele e Antonio ficaram feridos, mas sem gravidade. Os dois foram socorridos no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, e já tiveram alta.
Antonio seguiu para Minas Gerais, onde mora, e Emerson está preso na Central de Garantias, na Cidade da Polícia, no Jacaré. O sequestro só terminou no início da madrugada desta segunda-feira com a chegada da mãe do bandido, exigência feita pelo criminoso para libertar o refém.

O caminhoneiro Antonio Euclides Ribeiro foi feito refém na Avenida Brasil Severino Silva / Agência O DIA

A negociação, que durou duas horas, foi feita pelos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), com apoio do 14º BPM (Bangu) e Batalhão de Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE). Segundo Antônio, Emerson jogou a arma no chão e se entregou à polícia. 

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O caminhão, que está com os pneus furados, permanece no local do sequestro. O veículo foi atingido por pelo menos 23 disparos na carroceria e 11 nos pneus. "Nunca pensei que isto iria acontecer porque a Força Nacional está aqui. Desta vez eu pensei que eu estivesse seguro", lamentou ele.
Antonio saiu no domingo, de manhã, de Visconde de Rio Branco, em Minas Gerais, onde mora com a mulher e dois filhos. Ele iria deixar a carga no Mercado São Sebastião, na Penha, quando foi abordado. Ele dirigia o veículo, carregado com 20 toneladas de frango avaliada em R$ 300 mil. A vítima contou que foi interceptada na Rodovia Washington Luiz com Avenida Brasil por volta das 21h por cinco bandidos, mas apenas Emerson entrou no caminhão.

Motorista de caminhão é feito refém na Av. Brasil Reprodução Twitter PMERJ

Segundo ele, dois veículos ficaram atrás da carreta e um ficou na frente. Um dos veículos ele disse que era um Prisma prata. Antonio contou que ainda foi obrigado a retornar para o sentido Zona Oeste e dirigir por uma hora. A PM começou a seguir a carreta após ser avisada por um taxista que passava na via.
"Pararam na minha frente e desceu um bandido. Ele entrou no caminhão me dando ordens e dizendo que iria me matar. Ele mandou eu retornar e entrei em um lugar que não cabia. Passei por cima da calçada, retornei e entrei na Brasil sentido Zona Oeste. Depois de algum tempo os PMs foram atrás. Juntou todo mundo (policiais) e atiraram nos pneus", lembrou ele, que foi ferido por tiros de raspão na perna e braço esquerdos.
"Foi muito tiro. De todos, graças a Deus apenas um acertou de raspão a minha perna e estilhaços acertaram no meu braço", contou Antonio. Segundo ele, o único momento de alívio que teve foi quando a mãe de Emerson chegou e começou a conversar com o filho.
"Quando ouvi a voz da mãe pensei: graças a Deus eu não vou morrer", lembrou ele contando que mãe do criminoso o tempo todo o aconselhava a ficar calmo e se entregar. "Ela dizia: 'filho, sua mãe tá aqui. Fica calmo. Vai dar tudo certo. Não precisa fazer isso'", contou ele.
Esta foi a quarta vez que Antonio vinha ao Rio a trabalho. Apesar do pavor pelo qual passou, ele disse que não vai deixar a profissão. "Hoje, se fosse para voltar para o Rio, eu não ia querer, mas sou motorista e preciso trabalhar. Ainda não caiu a ficha. No Rio, você pode esperar qualquer coisa. Mas, com toda essa segurança, eu não esperava passar por isso, já que houve uma grande ação para combater a criminalidade. Pensei: não é possível que, mesmo com a Força Nacional, sejamos roubados", contou Antonio. Ao ser perguntado se tem raiva do bandido, ele respondeu, chorando muito, que não. "Não tenho raiva dele. Ele nem sabia para onde queria ir", disse o caminhoneiro.
A delegada-adjunta da Central de Garantias, Elaine Nunes Rosa, contou que Antonio foi abordado por cinco bandidos em um Prisma na altura de Cordovil, na Avenida Brasil. De acordo com ela, Emerson não tem antecedentes e responderá por roubo com emprego de arma de fogo, pela restrição da liberdade da vítima e resistência.
Ela contou que o sequestro foi praticado por bandidos do Comando Vermelho (CV), mas não soube dizer de qual comunidade. Emerson não quis prestar depoimento e disse que só falará em juízo. "Mas, informalmente, ele contou aos policiais que, por ser o mais novo do bando, foi obrigado a entrar na cabine e render o motorista", contou ela, detalhando o esquema de roubo de carga da facção.
"Os outros criminosos ficam dando cobertura num veículo e mandam o caminhão seguir", disse a delegada. Já a facção Amigos dos Amigos (ADA) age de outra maneira. De acordo com Elaine, esse bando não entra no caminhão. "Eles sinalizam para o motorista e o mandam seguir. Se ele não obedecer, eles o matam e levam a carga", contou a delegada.

 

'Ele dizia que ia me matar', conta caminhoneiro sequestrado na Avenida Brasil Reviewed by DestakNews Brasil on 13:31 Rating: 5
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