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'Atrasa, mas não falha', diz Eduardo Cunha sobre propina

08/08/2017

Mensagem foi encontrada em celular do ex-presidente da Câmara, apreendido pela PF

Mensagens apreendidas no celular do ex-deputado federal Eduardo Cunha revelam um arsenal de indícios de corrupção

BRASÍLIA. Um relatório da Polícia Federal (PF) produzido a partir de mensagens capturadas do telefone do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso no âmbito da operação Lava-Jato, mostra que os tentáculos do político alcançavam as mais diversas áreas. O ex-deputado influenciava nomeações para cargos públicos, distribuição de propina para o PMDB e até vagas de internação de hospitais do Rio.

Quando o assunto era o pagamento de vantagens indevidas, ele se garantia. “Chegou! Valeu. Agradeça lá”, escreveu o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também preso, em mensagem de 2012. “Claro, não tinha dúvidas. Aqui se atrasa, mas não falha”, responde Cunha.

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O diálogo foi um dos muitos em que Cunha e Alves acertam suposto pagamento de propina, muitas vezes oriunda de empreiteiras. No dia 15 de agosto de 2012, Alves havia cobrado o pagamento de propina que viria da Carioca Engenharia, segundo a interpretação dos investigadores. Aparentemente, a cobrança deu certo, porque o agradecimento foi repassado a Cunha no dia seguinte.

As trocas de mensagens foram feitas ao longo de 2012 e estavam no celular de Cunha, que foi apreendido pela PF em buscas feitas em dezembro de 2015. O relatório foi concluído em dezembro de 2016 e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Somente agora foi retirado o sigilo do documento. O material será encaminhado ao procurador geral da República, Rodrigo Janot, que poderá juntá-lo a inquéritos que já estão em curso na Corte.

Em outros diálogos, Cunha aparece dando orientação para que outros parlamentares atuem por ele em medidas provisórias.

Em 2012, Cunha mandou mensagem para o deputado Hugo Motta (PMDB-PB) para atuar em nome dele. “Acredita-se que o ex-parlamentar (Cunha) utilizaria, supostamente, o deputado Hugo Motta, também do PMDB, para interceder na MP 561”, diz o relatório da PF. Na mensagem, Cunha digitou: “Vou pôr uma emenda para vc assinar que é do veto da 561”. Motta respondeu: “Ok, aguardo. Abs!!!”.

Em outra ocasião, uma assessora de Cunha chamada Claudia Medeiros enviou ao chefe um e-mail com uma minuta de requerimento e o questionou sobre a possibilidade de envio ao deputado Hugo Motta para assinatura. A mensagem foi em agosto de 2012. “Posso mandar para o Hugo Motta assinar?????”, diz a mensagem da assessora.

O requerimento era para o Ministério de Minas e Energia enviar informações sobre a parceria da Petrobras Bio Combustível com a Açúcar Guarani S/A e o Grupo Tereos. Para a PF, o requerimento foi apenas enviado para Hugo Motta assinar. Motta informou que não se lembrava especificamente do assunto, mas que era comum conversar com os colegas sobre atividade parlamentar.

Outras conversas. O relatório da PF também revela outras conversas de Cunha e seus aliados. Em um diálogo por mensagem com Henrique Eduardo Alves, Cunha mostrava-se preocupado quando o então colega deputado informava que parte de um valor anteriormente acertado com o PMDB de São Paulo iria para o Rio Grande do Norte. “Isso vai dar merda com o Michel”, disse Cunha. Para a PF, os dois falavam sobre uma propina da JBS e referiam-se ao agora presidente Michel Temer.
Estada. Personagens da conversa sobre a propina, Eduardo Cunha e Henrique Alves estão presos hoje pela Lava Jato. O primeiro, desde outubro do ano passado. O segundo, desde junho último.
 
'Atrasa, mas não falha', diz Eduardo Cunha sobre propina Reviewed by DestakNews Brasil on 10:47 Rating: 5
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