O ex-publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza revelou a autoridades que teria pago propina ao senador Aécio Neves (PSDB), operado para ele caixa dois em campanhas eleitorais e atuado de forma ilícita no governo de Minas. O tucano teria negociado diretamente com o ex-publicitário, conforme Valério. Aécio nega as acusações. 
Os atos de corrupção imputados a Aécio pelo dono das empresas de publicidade SMP&B e DNA Propaganda vão da época em que ele foi deputado federal (em 2000) ao primeiro mandato como governador de Minas, em 2003.
As revelações foram escritas à mão pelo operador do mensalão petista, quando esteve preso na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, e digitalizadas pelo advogado dele, Jean Kobayashi Júnior. O Hoje em Dia teve acesso aos documentos.
Os 60 anexos, com situações e personagens diversos, foram entregues ao Ministério Público mineiro em fevereiro como parte das negociações para a concretização de um acordo de colaboração premiada no processo do mensalão mineiro. Essas informações teriam sido detalhadas à Polícia Federal durante a delação em si, que agora aguarda a homologação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em vários deles existem citações a Aécio. Valério acusa o senador de, quando deputado, ter intermediado a contratação da DNA pelo Banco do Brasil. Em troca, receberia 2% do faturamento do contrato. Conforme o ex-publicitário, a operação contou com o aval do então ministro da Comunicação, Andrea Matarazzo, e do então presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
“De acordo com relatos do próprio deputado Aécio, ele teve que costurar uma das três contas do banco com o próprio ministro e com o acordo do presidente da época, FHC (sic)”, diz trecho do anexo 1. “O custo da conta era de 2% do faturamento bruto que teriam de ser repassados ao deputado”, conclui.


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