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De gravata, ambulante chama atenção na entrada de Santos

30/07/2017

Antônio da Silva perdeu dois empregos no mesmo dia e hoje ganha o sustento da família no semáforo

A Tribuna

Mesmo no sol, roupa social é marca registrada do ambulante (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

Sob o sol nada reconfortante de um atípico inverno, Antônio José da Silva, 49 anos, enxuga o suor do rosto sem tirar os olhos do semáforo, no caótico encontro entre as avenidas Nossa Senhora de Fátima e Martins Fontes, na entrada de Santos. A pausa é para recuperar o fôlego e repor os produtos de uma forma de bolo retangular, que usa como espécie de bandeja. 
A temperatura da última sexta, próxima a 30º C, não o impediu de vestir calça e camisa social e uma bem alinhada gravata amarrada no pescoço. A vestimenta é apenas uma, entre os diversos uniformes que ele usa para vender águas, refrigerantes, salgados e doces aos motoristas que ficam retidos no trecho. Todos impecáveis e combinando. 
Quando não usa esporte fino, ele se arrisca em uma gravata borboleta típica dos mais refinados garçons. O charme não é por mera vaidade – substantivo que, aliás, esse homem de fé inabalável afirma não ter –, mas para levar comida à mesa de sua família. 


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Como muitos brasileiros que ficaram sem chances no mercado de trabalho à medida que a crise foi se instaurando, Antônio foi jogado à informalidade quando perdeu no mesmo dia dois empregos com carteira assinada. Ele dividia turnos entre os ofícios de pedreiro e motorista. “Já são dois anos que bato de empresa em empresa, sem sucesso. Mas tenho fé em Deus que minha história vai melhorar”.
Sem outra opção, Antônio reservou parte do acerto salarial e investiu numa bicicleta cargueiro, caixas térmicas e no estoque inicial. “Não existe crise para quem tem fé e corre atrás”. 
Nos primeiros dias, ele ia para seu já habitual ponto de vendas de bermuda e camisetas surradas. Mas as vendas eram tímidas. “Percebi que muitas pessoas sequer abriam o vidro do carro. Aí, minha mulher me aconselhou a ir um pouco melhor, mais arrumado”.

‘Pulo do gato'

Diz o ditado popular que se conselho fosse bom, seria vendido. Porém, Antônio reconhece que o puxão de orelha que recebeu em casa foi a salvação no seu negócio. “As vendas mais que dobraram. Motoristas em carros importados começaram a baixar o vidro. As ‘caixinhas’ aumentaram e tem gente que nem quer pegar o troco de volta”.
Além da aparência, Antônio ensina que é preciso gastar muita sola de sapato e abusar de simpatia para conquistar os clientes. Todos os dias, ele pedala do Bom Retiro, na Zona Noroeste, até o cruzamento de onde tira cerca de R$ 1.500,00 por mês. Na carga, dezenas de garrafas de água e refrigerantes, pacotes de salgadinhos de milho e pipoca industrializada. E, desde o começo do mês, bombons e balas.

Tudo se ajeita

A técnica de vendas ele traz da infância no sertão do Nordeste, quando descolava alguns trocados vendendo frutas da estação. Ele subia no lombo do jegue e anunciava manga, caju e demais produtos, para reforçar o orçamento doméstico. “A vida não é fácil. Mas com fé em Deus tudo se ajeita”.
Como retribuição às pequenas vitórias diárias, Antônio arrecada alimentos e donativos entre os fiéis de sua igreja. Tudo é destinado aos moradores de rua, no entorno do Mercado Municipal, na Bacia do Macuco. 
“A gente faz um sopão, que para muitos é a única alimentação. Meu sonho é ampliar esse trabalho. A Bíblia diz que Deus realiza os desejos de nossos corações. Quem sabe vocês (reportagem) possam ser o caminho”. Para ajudar o projeto paralelo de Antônio, o telefone é 13 98147-9995.

 

De gravata, ambulante chama atenção na entrada de Santos Reviewed by DestakNews Brasil on 15:51 Rating: 5
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