O senador Zezé Perrella (PMDB) e o filho dele, Gustavo Perrella, teriam lavado dinheiro ilícito, por meio da empresa Tapera Participações, para o senador Aécio Neves (PSDB) em operações que começaram em 2014 e tiveram fim apenas há 21 dias. As informações constam das explicações do procurador-geral, Rodrigo Janot, enviadas ao ministro Edson Facchin anteontem, no documento que pede a revisão da decisão de deixar solto Aécio Neves.
Conforme o procurador-geral, Aécio recebia propina da empresa JBS. Uma das maneiras utilizadas pelo senador para mascarar a origem do dinheiro seria entregando a empresa Tapera, de propriedade de Gustavo e administrada por Zezé, segundo o procurador-geral.
Posteriormente, segundo Janot, eram feitos saques na conta da Tapera, em períodos que coincidem com os repasses de recursos pela JBS. O intermediário de Perrella era Mendherson Souza Lima, assessor do senador, que buscava as remessas com o primo de Aécio, Frederico Pacheco.
Ao menos uma das operações teria sido feita ainda com a participação de Euler Nogueira Mendes, contador dono da empresa ENM.
Aécio, Zezé e Gustavo Perrella, Mendherson e Euler são conselheiros do Cruzeiro.
“Essas evidencias demonstram que há fortes indícios de que a empresa ENM Auditoria e Consultoria e a empresa Tapera Participações e empreendimentos Agropecuários Ltda. fazem parte do esquema para lavar recursos recebidos ilicitamente pelo senador Aécio Neves”, diz Janot.
O procurador relata que os repasses acabaram apenas no dia 3 de maio deste ano, quando a Polícia Federal já monitorava Frederico, Mendherson e Ricardo Saud, da JBS, em função da entrega de R$ 2 milhões, divididos em quatro parcelas, ao grupo, tendo Aécio como destinatário.

“(Em) 04.05.2017, às 10h44, Mendherson liga para sua secretária e pede que ‘Tostão’, empregado do escritório do senador Zezé Perrella, faça um depósito para Frederico. Na mesma manhã, M., gerente do Banco Bradesco, liga para Mendherson e pergunta sobre a origem de uma transferência da ENM Auditoria e Consultoria em favor da empresa Tapera Participações e Empreendimentos Agropecuários Ltda. no valor de R$ 500 mil ocorrida no mês de abril”, diz trecho do documento.
O advogado de Gustavo e Zezé não atendeu ao pedido de explicações. A reportagem não conseguiu contato com Mendherson, preso na semana passada. A secretária de Euler informou que ele está viajando. Aécio reitera que não recebeu dinheiro escuso da JBS e que os R$ 2 milhões foram a título de um empréstimo pessoal.
Vice-governador de Minas Gerais é citado em delação do empresário Joesley Batista
O vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (PMDB), também foi citado nas delações de Joesley Batista, sócio da holding J&F.
Em delação premiada, Joesley disse que, à época que Andrade era ministro da Agricultura, o hoje vice-governador teria assinado vários atos de ofício que favoreciam a J&F, que teriam rendido propina de R$ 7 milhões a outros políticos.

De acordo com o empresário, esse montante teria sido pago em contrapartida pela edição de dois atos normativos. Um deles permite a regulamentação das exportações de despojos (partes de animais). O outro revogou uma portaria ministerial que proibia o uso de um vermífugo de longa duração.
Joesley também disse que o Ministério da Agricultura era [JOESLEY]“loteado”. “Cada ‘postozinho’ é um deputado que indicou, um senador que indicou”, disse.
A assessoria de Andrade informou que “desconhecemos quaisquer mudança ocorrida nos procedimentos do Ministério da Agricultura que tenham sido favoráveis à holding J&F durante a gestão do atual vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade, à frente da pasta”.

Perrella