Diante da maior crise financeira dos 118 anos de história da instituição, a Santa Casa de BH pode suspender os atendimentos nos próximos 60 dias.
Com quase R$ 27 milhões em repasses atrasados e 450 leitos já fechados, o maior hospital público de Minas Gerais pede socorro. 
A diretoria da instituição faz um apelo ao poder público: sem dinheiro, não há como funcionar. A suspensão dos atendimentos afetaria milhares de pessoas dos 694 municípios mineiros assistidos no local. 
“Na área onde trabalho vejo cada dia faltar mais coisas. É uma pena, porque a Santa Casa ajuda tanta gente” Maria Célia Werner
Técnica de enfermagem

Como medida emergencial, nesta semana 500 funcionários serão colocados em férias coletivas, conforme o provedor da Santa Casa, Saulo Levindo Coelho.
O total representa cerca de 10% dos 4.700 que atuam na instituição. O segundo passo poderá ser a demissão de profissionais de diversas áreas. “A Santa Casa está agonizando”, afirma Coelho.
Diante do crítico cenário, nessa segunda-feira (15), cerca de 5 mil pessoas deram um abraço simbólico na unidade de saúde, localizada na região hospitalar da capital, para pressionar as autoridades e tentar reverter o quadro. 


Entraves
São dois os principais problemasenfrentados pelo hospital. O primeiro é o atraso no recebimento de R$ 26,973 milhões, sendo R$22,4 milhões do governo do Estado, R$ 3,739 milhões do federal e o restante do município. A outra dificuldade é a defasagem da tabela de pagamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). 
O governo paga R$ 10 por consulta especializada. A Santa Casa completa com outros R$ 18. O déficit mensal da instituição é de R$ 4 milhões. Como isso ocorre há pelo menos 12 meses, o hospital gastou a mais com os atendimentos quase R$ 50 milhões. 
“Temos que lutar para não fecharem o hospital porque seria um verdadeiro crime” José Paulo de Oliveira
Jardineiro da Santa Casa

Redução
A falta de insumos e de recursos para pagar os profissionais fez com que os atendimentos mensais fossem reduzidos em 40%, passando de 250 mil para 150 mil nos últimos dois meses. Isso sem contar as internações, que caíram de 7 mil para 4 mil. 
Situação que assusta a técnica de enfermagem Laís Soares da Silva, de 27 anos. Grávida de gêmeos há 31 semanas, ela está internada desde a 23ª semana.
“Fico triste porque minhas filhas podem nascer a qualquer momento e quero muito que elas nasçam aqui em um hospital que tenha estrutura”, afirma. 
Posições
O Ministério Público, em 2 de maio, publicou uma recomendação ao governo do Estado pedindo um cronograma de pagamento do valor devido para a Santa Casa. 
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que está conferindo cada valor informado pela Secretaria de Saúde de BH para “ter ciência do que realmente está pendente de pagamento” e que busca regularizar a situação o mais rápido possível.
A pasta informou que os valores são repassados para a prefeitura e não diretamente para o hospital. “Ou seja, qualquer recurso da SES é devido ao município de Belo Horizonte, e não à Santa Casa”. 
A Secretaria Municipal de Saúde, por sua vez, afirma que “o problema da Santa Casa não é diferente de outros hospitais públicos do país que também têm dificuldade com financiamento do SUS”.
A pasta garante que o repasse do recurso é feito 24 horas após receber a verba do Ministério da Saúde. A pasta federal afirma que os recursos destinados a BH estão em dia.
Crise na Santa Casa