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'Deixaram meu filho morrer', diz mãe de preso que teve infecção em presídio de Capela do Alto/SP

01/05/2017

Alda Santos Pereira, de 46 anos, reclama de negligência no atendimento médico após filho ter furúnculo. Detento chegou morto no pronto-socorro da cidade, conforme prontuário. SAP instaurou inquérito para investigar o caso.

Prontuário médico do posto de saúde alega que paciente chegou morto na unidade (Foto: Arquivo Pessoal/Alda Santos Pereira) 


Os dias da dona de casa Alda Santos Pereira, de 46 anos, têm sido de augústia e revolta depois da morte do filho, que estava preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Capela do Alto (SP). Segundo a mãe, a morte foi causada por negligência no atendimento médico ao rapaz dentro da unidade após uma infecção.
De acordo com o prontuário médico, Edson Pereira de Santana, de 31 anos - que cumpria pena por tráfico de drogas -, chegou já morto no pronto atendimento da Unidade Mista de Saúde de Capela do Alto. A Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo (SAP) informou que o CDP tem equipe médica para atendimento dos detentos e que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte do preso (veja a resposta da SAP na íntegra abaixo).
Em entrevista ao G1, a dona de casa contou que foi informada por colegas de cela do filho que ele teve um furúnculo nos glúteos no mês de fevereiro, que foi tratado a base de medicamento na unidade. Porém, depois de um tempo apareceram mais três furúnculos, mas, dessa vez, no pescoço.
"Só que dessa vez, me contaram, que se recusaram a dar atendimento médico para o meu filho. Eles acharam que não era nada demais, nada grave. E ele foi piorando e teve até febre muito alta".
Depois de três dias do início dos sintomas, Edson teria desmaiado dentro da cela e, segundo a mãe foi informada por outros detentos, teria morrido naquele momento. "Daí só assim levaram meu filho para a enfermaria do presídio, mas não adiantava mais nada. Ele já estava morto. Tanto que só aí foram pedir a ordem de saída emergencial para levá-lo no hospital."
Ainda conforme a mãe, o fato de não terem chamado uma escolta da Polícia Militar para levar o filho ao hospital a faz ter certeza que o rapaz já tenha sido levado morto da unidade. "Isso me chamou bastante atenção, não teve solicitação da escolta da Polícia Militar, conforme o próprio documento de ordem de saída mostra e isso é obrigatório para transferência de preso", alega.
Alda acredita se tratar de um caso de negligência do presídio. Por isso, reuniu todos os documentos da morte do filho e pretende entrar na Justiça contra o Estado. Ela acredita que, apesar do prontuário médico mostrar que óbito foi constatado às 0h25 do dia 30 de março na Unidade Mista de Saúde de Capela do Alto, o filho tenha morrido, na verdade, na tarde do dia 29 de março, quando passou mal e desmaiou na cela, conforme outros detentos lhe contaram.
"Só depois que meu filho desmaiou, que eles foram pedir a ordem de saída dele. E essas coisas demoraram pra sair, o diretor tem que autorizar, tem toda uma burocracia. Eles deixaram meu filho morrer por falta de atendimento médico. Porque se tratado da forma correta, um furúnculo não mata ninguém. Ele morreu de infecção generalizada só porque o problema não teve os cuidados necessários. E enquanto eu estiver viva vou pedir por Justiça", desabafa a mãe.

Atendimento médico no CDP

A SAP informou que o Centro de Detenção Provisória de Capela do Alto possui equipe de saúde formada por dois médicos, duas enfermeiras, quatro técnicos de enfermagem, uma auxiliar de enfermagem e três dentistas.
"O atendimento de saúde é ofertado para todos os presos da unidade e é realizado diariamente, sempre que necessário e também quando solicitado pelos detentos. Também quando necessário o preso é encaminhado para atendimento externo especializados e/ou emergenciais".
A SAP disse que o preso Edson Pereira de Santana deu entrada no Centro de Detenção Provisória de Capela do Alto no dia 19 de janeiro deste ano e, no dia 10 de fevereiro, passou por atendimento com o médico da unidade, devido a um furúnculo na nádega, sendo receitada Cefalexina para o tratamento.
Já no dia 20 de março, a SAP explicou que devido a um furúnculo na cabeça, ele passou novamente por consulta com outro médico da unidade que também receitou para o tratamento Cefalexina e Nebacetim. Mas, no dia 29 de março, o detento passou mal e foi levado para a enfermaria para observação, sendo em seguida encaminhado para atendimento externo no Pronto Atendimento Médico Emergencial da Unidade de Saúde de Capela do Alto.
Mesmo alegando que o preso teve toda a atenção e os cuidados médicos necessários dentro da unidade de Capela do Alto, a SAP instaurou um Procedimento Apuratório Preeliminar para averiguação das circunstâncias da morte do preso. 

Ordem de saída emergencial teria saído depois que o preso já estava morto, segundo a mãe (Foto: Arquivo Pessoal/Alda Santos Pereira)  
 
Com Informações do G1
'Deixaram meu filho morrer', diz mãe de preso que teve infecção em presídio de Capela do Alto/SP Reviewed by DestakNews Brasil on 21:10 Rating: 5
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