Pelo menos 4.266 veículos foram furtados em Belo Horizonte no ano passado, segundo dados da Polícia Civil. 

Hoje em Dia

 
O número representa um crescimento de 14% nessa prática criminosa em relação a 2015 e está ligado à ação de quadrilhas em toda capital. Um exemplo claro é o bando especializado no furto de motos de trilha, apresentado pelos investigadores, ontem, na sede do Detran-MG. 
O grupo era formado por dois reincidentes e usuários de tornozeleira eletrônica, um mecânico e um funcionário de uma empresa de rastreamento. Os criminosos foram flagrados enquanto planejavam novo furto no estacionamento de um shopping da região Nordeste da cidade. 
Agilidade
Os alvos eram novamente as motos XRE 300 cilindradas da fabricante Honda. A agilidade com que os furtos aconteciam surpreendeu até mesmo os investigadores. Em menos de 20 segundos o ato era consumado. 
Segundo o delegado Felipe Fonseca, responsável pela investigação, as motos que custam em média R$ 15 mil, eram vendidas por cerca de R$ 1,5 mil em Malacacheta, no Vale do Mucuri, e também no estado do Espírito Santo. 
De acordo com os investigadores, a não exigência de documentação para esse tipo de motocicleta é um facilitador para a receptação. Segundo o coordenador de operações policiais do Detran-MG, Cláudio Freitas Utsch, as motos mais visadas pela quadrilha não são tributadas como outros veículos. 
“O proprietário do veículo precisa ter apenas a nota fiscal. Isso facilita esse tipo de crime. É uma aberração que precisa ser revista”.
Reincidência
Dois dos suspeitos presos pela Polícia Civil na investigação são monitorados por tornozeleira eletrônica, mas não usavam o aparelho no momento do flagrante. Segundo o delegado, um dos homens afirmou já ter saído de casa sem o rastreamento por mais de cinco vezes.
“O que agrava a situação é que, como a tornozeleira estava na casa dos criminosos no momento da prisão, não há como provar que eles estavam no local do crime por meio do monitoramento”, avalia Fonseca. 
Os detidos poderão ser condenados por associação criminosa, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e furto qualificado. Outros suspeitos fugiram durante a ação policial e estão sendo procurados. Na investigação foram apreendidos dois veículos e duas motocicletas XRE 300. 
A Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que um alerta sempre é enviado ao órgão quando uma tornozeleira é rompida ou desligada pelo usuário. Imediatamente, um contato telefônico é feito e, quando não há êxito, a Justiça é acionada por meio de ofício.
A partir daí, cabe ao juiz disponível definir se o usuário é levado novamente para o regime fechado ou não.
Ligação de bandidos com alteração de placas é investigada
Os suspeitos de comandarem o roubo de motos de trilha em Belo Horizonte podem ter ligação com a quadrilha que realizava a troca rápida de placas de carros roubados e chamou a atenção da Polícia Civil no fim do ano passado. 
A hipótese foi levantada pelos investigadores depois que o Fiat Uno recuperado na última semana estava com a placa de outro veículo. Os policiais ainda não podem afirmar a conexão entre as duas quadrilhas, mas trabalham na busca de provas para desvendarem o caso. 
À época, poucas horas após os veículos serem roubados as placas eram trocadas como forma de despistar investigadores e motoristas. Em tempo recorde os veículos eram levados para o desmanche.
O Hoje em Dia mostrou que até mesmo um dos candidatos à prefeitura da capital, que estava em campanha eleitoral, foi alvo dos bandidos.

Por volta das 20h de 28 de setembro de 2016, o automóvel foi roubado na Alameda Ipê Branco, bairro São Luiz, Pampulha. O veículo foi encontrado no dia seguinte em Vespasiano, Grande BH, com a placa de um Fiorino e sem a plotagem das eleições.