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Setenário das Dores de Nossa Senhora, em Itapecerica, inicia processo de registro como Patrimônio Cultural Imaterial

30/03/2017


A Prefeitura Municipal de Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas Gerais, iniciou o processo de registro do Setenário das Dores de Nossa Senhora como Patrimônio Cultural Imaterial. O objetivo é salvaguardar o bem imaterial para as futuras gerações.
 (Fotos Divulgação/PMI)

Este ano o Setenário será celebrado de 2 a 8 de abril e a Semana Santa de 9 a 16 de abril. No dia 6 de abril, quinta-feira, o itapecericano Dom Gil Antônio Moreira, Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, será o celebrante do Setenário. A Paróquia de São Bento, em Itapecerica, no ano de 2017 completa 260 anos de sua criação.


Setenário das Dores de Nossa Senhora

O Setenário das Dores de Nossa Senhora é celebrado na Igreja de São Francisco, em Itapecerica, ao menos desde meados do século XIX, não se sabendo ao certo qual a data exata de seu início. Alguns afirmam que já no princípio do século XIX, quando a Igreja de São Francisco foi inaugurada, em 1804, já se celebrava tal rito na então vila de São Bento do Tamanduá, antigo nome de Itapecerica.

Durante os sete dias que precedem o Domingo de Ramos, celebra-se na Igreja de São Francisco o solene e belíssimo ofício do Setenário das Dores, recordando as sete dores de Nossa Senhora, em vista da preparação espiritual dos fiéis para a grande liturgia da Semana Santa. O centro das atenções, naturalmente, é Cristo Jesus, que sofreu e morreu pela humanidade. Com seu rito próprio, cujas raízes estão na época do barroco tardio, a cerimônia se dá com orações, cânticos, leituras da Palavra de Deus, pregações e Bênção Eucarística. As orações do Setenário estão contidas num livro publicado em Portugal, em meados do século XVIII. Tal livro se encontra ainda em bom estado de conservação no arquivo da Paróquia de São Bento, em Itapecerica.

A cena de cada dia é mostrada com imagens de roca de tamanho e vestes naturais, sobre uma escadaria que se arma para este fim no presbitério, encobrindo todo o retábulo do altar mor. Uma grande cortina faz fundo à cena. Nos primeiros dias a cortina é roxa ou branca. A partir do quinto passo, a cortina é preta.










1º dia: Apresentação do Menino Jesus no Templo.
2º dia: A fuga para o Egito.
3º dia: Perda do Menino Jesus no Templo.
4º dia: Encontro no caminho do Calvário.
5º dia: A morte de Jesus no alto do Calvário.
6º dia: A Piedade: Maria recebe o corpo de Jesus em seus braços.
7º dia: A Soledade de Maria após o sepultamento de seu Filho.


Afirma-se, por tradição oral, que as imagens do Setenário e da Semana Santa (ou todas ou ao menos a maioria) foram feitas em Itapecerica, no princípio do século XIX, por um artista forasteiro que as esculpia em seu atelier montado no sobrado que havia ao lado da Igreja de São Francisco, o chamado Hospital ou Hospício de São Francisco, pertencente à Ordem Terceira de São Francisco, demolido em 1957, por ordem da Prefeitura Municipal. Para algumas, diz-se que o artista utilizava olhos de bonecas de louça vendidas em lojas da cidade. Contam os antigos que o escultor das imagens comprava bonecas de louça para retirar-lhes os olhos com o fim de adaptá-los às suas esculturas de menor importância. Para as imagens principais, ele importava olhos de vidro. As vestimentas de finas sedas, linho e veludo de alta qualidade foram confeccionadas por costureiras e bordadeiras locais. Também as espadas e coroas, artísticos trabalhos de cinzelamento em prata, foram feitos, ao menos em parte, por artesãos itapecericanos do passado.

A música sacra, abundante e de alta qualidade, sempre teve lugar inseparável nas celebrações do Setenário, bem como da Semana Santa. Na história local, a Corporação Musical Nossa Senhora das Dores ocupa o primeiro lugar na execução dessas peças musicais, uma vez que é a Corporação mais antiga, tendo sido fundada no começo do século XIX. Os motetos, antífonas e outras músicas são de autores mineiros como Padre João de Deus, falecido em Ouro Preto em 1832, Martiniano Ribeiro Bastos, Padre Jerônimo, Padre José Maria Xavier, Firmino Silva, Aurélia de Mesquita, Marcos Pereira dos Passos, Gerdigiani e outros da mesma época.

Há também músicas compostas por vários autores itapecericanos, de épocas variadas, destacando-se entre todos o Maestro Cesário Mendes de Cerqueira, falecido em 1981, que deixou mais de 500 composições, entre sacras e profanas. São dele várias ladainhas. No repertório há também músicas de outros autores itapecericanos, como marchas de Frederico Anselmo Ribeiro, Alcuino de Oliveira, Lute Grego, Bento Ernesto Júnior, Francisco Barbosa Malachias (Tito), Antônio Mendes de Cerqueira Filho (Ninico) e outros, todos falecidos. Encontram-se também algumas composições de autores de outras partes.

O Setenário, da forma que é celebrado em Itapecerica, não se repete em nenhum outro lugar, segundo pesquisa realizada pelo itapecericano Dom Gil Antônio Moreira, Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora.


Semana Santa

A Semana Santa é o ápice da liturgia cristã. Nela se celebra a maior festa de seu calendário, a Páscoa que se dá com a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Em Itapecerica esta liturgia da Semana Maior, entre todas as demais celebrações, foi sempre a atividade religiosa mais solene e mais concorrida de povo. É imensamente grande o número dos itapecericanos que moram fora da cidade e que nesta ocasião retornam à terra natal para participarem destas celebrações. Nos dias principais da Semana Santa a população da cidade aumenta sensivelmente.

Pode-se afirmar que, desde meados do século XVIII e princípios do século XIX, a Semana Santa é realizada em Itapecerica com a mesma estrutura geral, obedecendo sempre às adaptações litúrgicas determinadas pela Santa Igreja. Tal forma de se celebrar os mistérios centrais da fé encontra-se também em várias regiões de Minas Gerais, onde os antigos portugueses da época colonial deixaram marcados os sinais de sua fé cristã. Adaptado pouco a pouco, este estilo litúrgico resultou num modelo peculiar que se tornou característico da religiosidade do povo mineiro. Porém, cada cidade histórica de Minas tem suas formas próprias e especiais nestes eventos, como acontece em Mariana, Ouro Preto, São João del Rei, Prados, Tiradentes e outras.

Como tem acontecido em todas as cidades históricas, também em Itapecerica foram se formando características muito peculiares na Semana Santa. Isto se verifica na maneira de se celebrar o Setenário de Dores, na ordem e no estilo das procissões, nas músicas, nos toques dos sinos, nos ritos em geral. Esta estruturação itapecericana se firmou no correr do século XIX, pois há notícias de que, já no tempo do Vigário Domiciano José de Oliveira, que foi pároco em Itapecerica de 1854 a 1862, a Semana Santa assim era celebrada. Nesta ocasião viveu em Itapecerica o Mestre Lourenço Gomes. Este maestro deu grande impulso à música sacra local, embora não tenha sido o iniciador do povo tamanduense nesta arte, uma vez que já se encontram notícias da boa qualidade da música sacra nesta paróquia desde o fim do século XVIII e princípios do século XIX.    

Como já foi dito acima, também a Semana Santa propriamente dita, desde meados do século XIX, é celebrada em Itapecerica no estilo atual, observando-se uma harmônica conciliação entre valores culturais e reformas litúrgicas ordenadas pela Santa Sé Romana. Na verdade nem as reformas feriram o esquema geral destas celebrações que se encontram no coração do povo e nem estas tradicionais formas de celebrar os mistérios do Senhor causaram, em nenhum tempo, qualquer prejuízo às necessárias e naturais reformas da liturgia.

Enriquecendo a liturgia celebrada universalmente, a Semana Santa em Itapecerica apresenta sete procissões. Algumas pertencem ao costume em todo o mundo do rito romano ou são até mesmo indicadas nas rubricas dos rituais gerais, enquanto outras pertencem à religiosidade popular local.


As procissões do primeiro grupo são:

1.    Procissão de Ramos (Domingo de Ramos)
2.    Procissão Eucarística do Domingo de Páscoa (Domingo de Páscoa)

As procissões do segundo grupo são:
1.    Procissão de Depósito (Segunda-Feira Santa)
2.    Procissão de Dores (Terça-Feira Santa)
3.    Procissão do Encontro (Quarta-Feira Santa)
4.    Procissão do Enterro (Sexta-Feira Santa)
5.    Procissão do Triunfo (Domingo de Páscoa à tardinha)


Pertence à alma cristã a linguagem dos sinos. Nesta ocasião solene, em Itapecerica, esta linguagem tem um lugar especial. Na Semana de Dores, todos os dias, ao meio-dia e às 18 horas, os sinos dobram na Matriz e em São Francisco alternadamente, convidando para a oração silenciosa do “Angelus”. Nos dias da Semana Santa, meia hora antes das celebrações e no momento da saída e da chegada das procissões, os sinos não só lembram aos fiéis a próxima atividade sacra, mas dão ao ambiente um novo e bonito sentido. Na Segunda, Terça e Quarta-Feiras Santas, de duas em duas horas, a partir de 12 horas até às seis da tarde, procede-se, entre os sinos grandes da Matriz e de São Francisco, um belo diálogo já tão presente na alma Itapecericana que toma formas de verdadeira oração. Esta prece sonora, partindo do alto das torres das igrejas, penetra misticamente pelas janelas e portas dos lares cristãos, enlevando piedosamente os corações dos fiéis.

A partir do Glória da missa de Quinta-Feira Santa, como é costume em todo o orbe cristão, os sinos se calam. Voltam a ser tocados festivamente a partir do Glória da Missa da Ressurreição, no sábado da Aleluia, à noite, quando desponta a maior, mais importante e mais solene das festas: a Páscoa da Ressurreição. Na aurora do Domingo, ao sair da Procissão Eucarística os repiques de sons argentinos, em ritmo prestíssimo de semifusas, saúdam na alma da gente em festa o Cristo vitorioso que não morre mais. Então, ao meio-dia, brincam no ar alegremente os sinos da Matriz, de São Francisco, da Mercês e das demais igrejas, enriquecendo, simbolizando e anunciando os exultantes sentimentos de alegria que os corações vivem neste dia.


As informações históricas foram retiradas do livro “Semana Santa em Itapecerica – Minas Gerais – Ritual do Setenário das Dores de Nossa Senhora” (2014), organizado pelo itapecericano Dom Gil Antônio Moreira, Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora.


Contato:
Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Itapecerica-MG
Tatiana Palhares
(37) 3347-8503
(31) 99156-4377
comunicacao@itapecerica.mg.gov.br
Setenário das Dores de Nossa Senhora, em Itapecerica, inicia processo de registro como Patrimônio Cultural Imaterial Reviewed by DestakNews Brasil on 19:02 Rating: 5
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