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Mudança de batalhão e excesso de 'bicos' agravaram quadro de PM que transmitiu suicídio ao vivo

31/01/2017

Colegas fazem vaquinha para pagar enterro de PM que transmitiu suicídio pelo Facebook

Extra Online

Na equação que antecedeu o suicídio do PM Douglas Jesus de Oliveira, que transmitiu ao vivo a própria morte na internet, no último sábado, é impossível, para parentes e amigos, apontar um único motivo. Entre a perda da avó, um processo de separação e voltas com a mãe da filha de pouco mais de 1 ano e os atrasos de salário, porém, duas questões agravadas nas semanas anteriores à tragédia surgem como hipóteses prováveis, para os mais próximos do soldado, de 28 anos: devido à falta de dinheiro, ele havia intensificado o trabalho como segurança nas horas vagas; além disso, a transferência do 9º BPM (Rocha Miranda) para o 24º BPM (Queimados), bem mais longe de casa, cerca de 20 dias antes do tiro fatal, o deixou ainda mais cansado e deprimido.
— Tinha dia em que ele saía do trabalho e emendava na segurança, ou o oposto. Dormia pouquíssimo. Além disso, estava com o carro enguiçado, sem moto, sem dinheiro. Como ia para Queimados? Isso tudo acumulou, ele ficava nervoso — contou a viúva Rayane Cristina dos Santos, de 25 anos, de quem o soldado não chegou a se divorciar.
No Facebook, Douglas vinha falando com frequência de solidão, segundo amigos presentes ao enterro, ocorrido nesta segunda-feira, no Cemitério de Irajá. A depressão se agravou há cerca de dois anos, após a morte da avó que o criou e com quem morava. Em maio do ano passado, ele chegou a ficar uma semana internado na psiquiatria do Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), no Estácio, após tentar suicídio ingerindo bebidas e medicamentos.
Na ocasião, de acordo com a corporação, ele optou por continuar o tratamento em “uma unidade próxima da residência dele”. Ao término das consultas, ainda conforme a PM, o soldado passou pela Junta Médica do HCPM e foi liberado para retomar as atividades.
— Eu acho que deveriam ter mais cuidado. Não era a primeira vez que ele apresentava esse tipo de problema — criticou Rayane.

A fachada do 24º BPM (Queimados), onde o soldado passou a trabalhar
A fachada do 24º BPM (Queimados), onde o soldado passou a trabalhar Foto: Cléber Júnior
Afastado pela primeira vez após assalto
Os primeiros problemas psiquiátricos de Douglas surgiram em 2012, após reagir a um assalto e matar um dos criminosos. Além de ser afastado do trabalho para tratamento, o soldado passou, segundo a viúva, meses tomando remédio para dormir.
— Ele nunca mais voltou totalmente ao normal. Ficava tenso toda vez que passava uma moto, colocava a mão na arma. Ficou quatro meses em casa. Um dia acordei de madrugada com ele me dando um soco. Ele pediu desculpas e disse que sonhou que os bandidos estavam atrás dele — lembra Rayane.
Como Douglas não morreu em serviço, a PM não arcou com os custos do sepultamento. O enterro só pôde ser realizado graças a uma vaquinha de colegas de farda.

Para que o sepultamento fosse realizado, colegas de farda - que vivem uma das mais graves crises da corporação - disseram ter feito uma vaquinha. Um deles postou um agradecimento após conseguir a quantia necessária:
“Venho por meio desta agradecer a todos que participaram da campanha para auxílio financeiro da cerimônia fúnebre do Sd De jesus, chegamos com ajuda dos amigos ao valor para cobrir todas as despesas fúnebres (...) Juntos somos fortes”.


Veja, abaixo, a íntegra da nota enviada pela Polícia Militar:

“A Assessoria de Imprensa informa que o soldado Douglas de Jesus Vieira já foi atendido no Setor de Psiquiatria do Hospital Central da Polícia Militar (HCPM). No caso mais recente, o policial retornou à Unidade, no ano passado, e recebeu Licença para Tratamento de Saúde (LTS). Na ocasião, ele optou por continuar o tratamento em uma unidade próxima da residência dele. Ao término das consultas, o soldado passou pela Junta Médica do HCPM e foi liberado para retomar as atividades.
A Polícia Militar conta com 98 psicólogos e 4 psiquiatras. Os policiais militares que precisam do serviço também podem ser encaminhados para acompanhamento na rede conveniada.”

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Mudança de batalhão e excesso de 'bicos' agravaram quadro de PM que transmitiu suicídio ao vivo Reviewed by DestakNews Brasil on 12:40 Rating: 5
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