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Menos um teatro em Belo Horizonte

Classe artística lamenta o fechamento do Alterosa após a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança

O Tempo

Inaugurado em 1993, Teatro Alterosa terá atividades suspensas após a Campanha de Popularização

Embora cada vez mais frequente, é sempre assustador à classe artística e aos espectadores ouvir o anúncio do fechamento de mais um teatro em Belo Horizonte.

Além do Teatro Casanova, do Teatro da Praça e do mais recente, Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, outros espaços já chegaram a anunciar riscos de fechamento, como o Teatro da Cidade e o Teatro Kléber Junqueira.
Agora, é a vez do Teatro Alterosa, inaugurado em 1993 na avenida Assis Chateaubriand, no Floresta. A informação do fechamento ainda não foi divulgada oficialmente, e os responsáveis pela administração alegam não possuir autorização para falar a respeito, mas funcionários do espaço, que preferem não ser identificados, confirmam o fechamento, anunciado em reunião na última sexta-feira. A previsão é que as portas do Alterosa sejam fechadas no fim de fevereiro, após temporada da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança (confira abaixo os espetáculos que vão ocupar o espaço).
“Essa notícia mostra como é frágil a cultura no nosso Estado e reforça como ela precisa de olhares mais carinhosos do poder público. Ficamos muito preocupados com o fechamento do Alterosa porque estamos vindo de uma sequência de portas fechadas”, comenta Éder Paulo, diretor administrativo do Teatro Kléber Junqueira que, no ano passado, chegou a alertar para os riscos de fechamento da casa.
Ele reforça que a situação vivida pelo Alterosa se alastra para outros espaços. Segundo ele, o Teatro Kléber Junqueira conseguiu se manter temporariamente a partir de apoios recebidos da Secretaria de Cultura e da Secretaria da Educação. Mas a situação segue instável, assim como o Teatro da Cidade, que enfrenta questões judiciais.
O diretor Pedro Paulo Cava lembra que, assim como o Teatro da Cidade, que ele dirige, o Alterosa também é tombado imaterialmente. “Isso não impede que os teatros sejam fechados, mas eles não podem ser derrubados nem obter outra destinação. Lamentamos o fechamento do Alterosa, mas, por ser propriedade de uma empresa privada, talvez eles encontrem uma solução. De toda forma, é uma pena que a cidade esteja perdendo suas casas de espetáculos. Vamos ver se o novo prefeito, Alexandre Kalil, vai fazer algo pelos nossos teatros”, afirma Cava.
Éder ressalta ainda as características dos teatros que estão fechando as portas. “São todos de médio porte, ou seja, são os espaços que a classe artística da cidade ocupa ”, desabafa.
Choque. O produtor Diego Benicá será um dos últimos a ocupar o teatro com suas produções. Ele entra em cartaz no Alterosa com dois infantis, “Rei Leão” e “A Bruxinha que Era Boa”, dentro da programação da Campanha. “O Alterosa sempre foi nosso parceiro, porque fazemos muitas apresentações para escolas. Ficamos em choque, pois tínhamos projetos para este ano que queríamos continuar realizando no teatro. O que a gente sente é que o cerco está fechando. Já não conseguimos mais espaços para fazer nossos projetos de formação, porque não é lucrativo para os teatros. O aluguel precisa ser simbólico para as escolas”, conta Diego.
Sempre presente no Alterosa, Benicá aponta para o descaso com que a casa vinha sendo tratada. “Ali é um espaço interessante, porque é um dos poucos lugares da cidade em que o público vê o palco de cima, mas, com o passar do tempo, o Alterosa vinha mostrando necessidades técnicas. O teatro precisava de reforma, o que era inviabilizado pela falta de patrocínio”, completa.
Com o fim do apoio dado pela Petrobras, alguns funcionários chegaram a ser demitidos nos últimos meses e a empresa passou a trabalhar com um número reduzido de empregados.
Embora aberto a todos os gêneros e a eventos como o Festival Internacional de Teatro (FIT-BH) e o Festival Estudantil de Teatro (Feto), o Alterosa recebia, em sua maioria, espetáculos infantis e de comédia. Era a casa, por exemplo, do comediante Carlos Nunes, que fez quase todas as suas estreias no Alterosa.
“O teatro tinha uma divulgação muito boa. Quando o teatro fez seis anos, eu recebi uma placa que não poderia ser vista pelo Corpo de Bombeiros. Eu coloquei 16 mil pessoas dentro do teatro ao longo de 50 apresentações de ‘Pérolas do Tejo’”, lembra.

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Menos um teatro em Belo Horizonte Reviewed by DestakNews Brasil on 10:35 Rating: 5
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