“Lamia ia com pouco combustível pra lucrar mais”, diz suposto mecânico

Áudios que circulam nas redes sociais revelam graves denúncias contra empresa que transportava a Chapecoense e que resultou na morte de 71 pessoas

 
@SUPER_FC

AVRO-RJ 85 com prefixo CP2933 era o único do modelo na empresa aérea

Além das homenagens ao redor do mundo e das medidas tomadas para fazer a despedida da equipe da Chapeconse e as medidas para reerguer o clube, as pessoas querem saber quais foram as causas do acidente com o aeronave na Colômbia. Enquanto a investigação oficial não é concluída, especialistas falam sobre o caso e algumas versões têm surgido na internet e nas redes sociais. Nesta quarta-feira, um suposto mecânico que teria trabalhado para a empresa LaMia, que fez o transporte da Chape, fez graves denúncias contra a empresa sobre a negligência e o descaso com a segurança.
Ainda não se sabe a procedência quatro áudios que circulam pela internet e nem o nome desse profissional. Porém, ele é muito claro em seus depoimentos: a empresa tinha como prática recorrente realizar viagens com pouco combustível para lucrar mais.
“Eu o atendi (o piloto e dono da empresa Miguel Quiroga) no meu hangar umas cinco ou seis vezes nos últimos 40 dias. A equipe do Atlético nacional de Medellin voou duas vezes com ele, o Sportivo Luqueño viajou com ele, a seleção da Venezuela, a seleção da Argentina e da Bolívia. Os caras sempre viajavam com o combustível no limite para fazer mais dinheiro. Faz uma semana que eu chamei um de meus advogados e mandei uma carta tentando proibir a operação daquela aeronave, mas eu acho que não chegou a tempo e os caras conseguiram outra permissão para o voo de ontem (da Chapecoense)”, declara.

O piloto, quando se aproximava do aeroporto, teria, em um primeiro momento, omitido a falta de combustível para evitar pesadas multas à sua empresa.
“Quando o avião (com a Chapecoense) chegou perto de Medellin, outro avião, da Viva Colômbia, declarou emergência, pelo fato do combustível está vazando do motor. Aí, eles (a torre de controle do aeroporto) deram preferência. Eles ligaram para as quatro aeronaves e perguntaram se eles precisavam de alguma coisa, e o cara (Miguel Quiroga - piloto da aeronave da Chape) escondeu que ele não tinha mais combustível. Ele fez duas voltas e depois de cinco minutos perguntou para a torre, bem tranquilamente: Vocês sabem em quanto tempo a gente estará pousando? A torre falou: você é o terceiro. Tem o Lan (atual Latam) na frente, tem o Copa (Airline – na verdade, era uma aeronave da Avianca) na frente. Beleza. Três minutos mais tarde o cara fala: estou precisando pousar porque não tenho combustível. Aí os dois, Lan e Copa, saem da lista e o cara (do avião da Chape) começa a descer”, conta o suposto mecânico.
“Aí, ele ( Miguel Quiroga) fala: tem uma pane elétrica. E porque ele fala isso? Se o cara consegue pousar e ele achou que ia conseguir pousar, e fala que está com falta de combustível, eles lhe dão uma multa tão grande que aquela empresa irá quebrar, fica sem nada, porque ele só tem um avião. Então, o cara fala: estou com pane elétrica, achando que ele vai chegar ao aeroporto, só que ele estava a 30 km do aeroporto. Ele bate porque não tem mais combustível”, completa.
O homem do áudio também afirma que a aeronave jamais poderia realizar a viagem contratada pela Chapecoense. “A Chapecoense alugou uma aeronave que não tinha autonomia para fazer essa viagem pela distância e com condição de tempo ruim ou condição de vento contra. Isso foi o que aconteceu. O Jornal Nacional não sabe o que está dizendo. Todo o pessoal no Brasil está perdido. Eles não entendem o que está acontecendo. E a aeronave tinha 2.965 km de autonomia de voo e eles voaram 2.975 km. E ainda faltavam 20, 30 milhas para chegarem ao aeroporto”, relata.