A cada 24 horas, pelo menos 20 veículos são roubados em Belo Horizonte. A média é baseada nos registros de janeiro a setembro deste ano.

Hoje em Dia

Foram 5.554 ocorrências, contra 4.746 no mesmo período de 2015 – salto de 17%. Não bastasse o elevado índice, a estatística de automóveis recuperados, após serem tomados por bandidos, cai quase pela metade.
Em nove meses, 3.454 automóveis voltaram para os respectivos donos, ou seja, 12 por dia. Na comparação com o ano passado, os dados também apontam crescimento, mas em proporção menor (8%). O levantamento é do Detran-MG. 
Barreiro, Venda Nova e Leste são as três regiões que lideram o índice de carros roubados na cidade. No entanto, não há dados consolidados por regional.
Vítimas
Há cerca de dois meses, o motorista Leonardo Lavarini, de 29 anos, teve o Fiat Linea levado por dois bandidos. O jovem conta que estava estacionado em uma rua do bairro Jaraguá, na Pampulha, após deixar um passageiro na região. Foi quando surgiram dois homens armados, um em cada lateral do carro, anunciando o assalto. 
Além do veículo, avaliado em R$ 28,5 mil, a dupla levou o celular, carteira e as chaves da casa de Lavarini. Câmeras do sistema de segurança de uma empresa que funciona na via gravaram a rápida ação dos bandidos, mas ninguém foi preso.
Vinte e oito dias depois, o motorista recebeu uma ligação da polícia informando que o veículo tinha sido achado. Por sorte, apenas um pneu tinha sido perdido. “Dois menores e um rapaz de 18 anos foram detidos. Eles alegaram ter comprado o carro”.
Mesmo drama viveu a estudante de comunicação, Isadora Barcelos, de 22 anos. Por sorte, ela não estava na hora do crime. A jovem conta que fazia um curso no bairro Cidade Jardim, Centro-Sul de Belo Horizonte, quando teve o veículo furtado. 
“Sempre estacionava no mesmo lugar. No último dia do curso, depois de um mês, quando virei a esquina percebi que o carro não estava lá. Tinha muitos veículos quando eu chegava e quase nenhum quando ia embora. Fiz o curso de carro justamente para evitar correr o risco de andar de ônibus muito tarde”, diz a estudante, que tinha seguro do automóvel.
Popular é o mais cobiçado; mercado clandestino alimenta crime
Gol, Palio e Uno. Carros populares são os mais roubados na capital mineira. Segundo a polícia, como a maioria dos veículos é levada para desmanches, a grande procura por peças no mercado clandestino ajuda a explicar a preferência dos bandidos.
Os roubos de motociclistas também são frequentes, principalmente no Barro Preto, Centro-Sul da cidade, informa o delegado Enrique Solla, chefe da Delegacia Especializada de Investigação de Furtos e Roubos de Veículos Automotores. O policial reforça a necessidade de os motoristas evitarem situações de risco.
“O criminoso atua com a ajuda de comparsas, que ficam em motos ou carros. Está sempre armado e se aproveita da fragilidade da vítima. Pessoas dentro do veículo estacionado, por exemplo, podem se tornar alvos”. 
Apesar do aumento das ocorrências, a Polícia Militar garante que tem trabalhado e recuperado muitos veículos diante das operações realizadas – principalmente durante as blitze. Segundo o chefe da assessoria de imprensa da PM, capitão Flávio Santiago, algumas ações são pontuais, como a “Alferes Tiradentes”, que visa mapear quem recebe o carro ou as peças para repassar a outras pessoas.
“Muitas vezes há uma encomenda de receptadores e, em flagrante, conseguimos encontrar os criminosos. Isso acontece por meio do nosso serviço de inteligência. Nós mapeamos rotas. Um crime tem acontecido em determinada região e nós concentramos policiais lá. E esse geoprocessamento é diário”.
No entanto, a queixa do bem roubado deve ser feita o quanto antes para aumentar as chances de reaver o patrimônio. “A PM tem conseguido recuperar grande parte, quando noticiados rapidamente. Desde que seja acionado o 190 e a rede seja informada, o contato com os pontos de detecção são rápidos”.
Nova estratégia
Em 17 de novembro deste ano, o Hoje em Dia mostrou uma nova estratégia criminosa para driblar a polícia ao roubar carros na capital. Bandidos trocam as placas dos automóveis como forma de despistar investigadores e motoristas. Não há estatísticas desse tipo de crime, mas segundo uma fonte da PM, a prática é recorrente. 
A ousadia é tanta que os ladrões nem se importam de colocar a placa de um veículo diferente naquele que foi roubado. A ação é diferente do crime de clonagem, quando a identificação é adulterada com os mesmos números e letras da original e colocada em um carro de mesmo modelo.
Na época, a reportagem mostrou que durante a campanha eleitoral deste ano, um Fiat Doblò usado pelo comitê de um candidato à PBH foi levado pelos criminosos. O veículo, roubado em 28 de setembro, foi encontrado no dia seguinte em Vespasiano, Grande BH, com a placa de um Fiorino.
Em julho, uma mulher de 42 anos teve o HB20 branco levado por três homens quando ela chegava em casa, em Venda Nova. O carro foi encontrado quatro dias depois na garagem de um prédio residencial no bairro Serra Verde, na mesma região, com a placa de um Palio.