Preso na Operação “Lava Jato”, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) incluiu em seu rol de testemunhas de defesa – que já tem o presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – seis mineiros, sendo cinco políticos. 
Na lista de 22 nomes estão o vice-governador Antônio Andrade (PMDB), os deputados federais Mauro Lopes (PMDB), Leonardo Quintão (PMDB) e Saraiva Felipe (PMDB) e o deputado estadual João Magalhães (PMDB), além de Felipe Diniz, filho do ex-deputado federal Fernando Diniz, já falecido. Se a Justiça acatar as indicações, todos serão obrigados a depor. 
A indicação dos nomes, muitos deles hoje desafetos políticos de Cunha, foi feita em documento de defesa prévia do ex-parlamentar, que presidiu a Câmara dos Deputados. A força-tarefa da “Lava Jato” apura se Cunha usou contas na Suíça para lavar dinheiro desviado da Petrobras. 
Ex-ministro da Aviação Civil no governo Dilma Rousseff, o deputado Mauro Lopes disse que ainda não foi notificado e se mostrou surpreso com a notícia. “Não tenho ideia em que eu possa contribuir. Ele (Cunha) é do Rio, eu sou de Minas. Foi meu colega lá na Câmara, mas não tenho convivência com ele, nem nunca tive. Não o conheço bem e não tenho ligação com ele”, afirmou. “Agora, se houver determinação da Justiça, sou cumpridor dos meus deveres e comparecerei”. 

Companhias

Saraiva Felipe, João Magalhães e Antônio Andrade
Arrolados – Saraiva Felipe aguarda notificação da Justiça e João Magalhães não foi localizado ontem, assim como o vice-governador Antônio Andrade 

O deputado Saraiva Felipe, que já comandou o Ministério da Saúde no governo Lula, também disse que não recebeu qualquer notificação. “Mas se for chamado para ser testemunha dele estarei em boas companhias, ao lado do Temer e do Lula”, disse. 

Segundo Saraiva, o ex-deputado peemedebista o ajudou quando ele era ministro. “E eu ajudei o Cunha quando ele concorreu à Presidência da Câmara. Eu o conheço desde 2002, mas não sei nada dele além da atividade parlamentar”, afirmou. 
O deputado informou ainda que há cerca de dois meses prestou um depoimento no âmbito da “Lava Jato”, mas não se recorda em qual inquérito. “Não durou mais que cinco minutos. Perguntaram se eu conhecia o Fernando Baiano, que eu não conheço. Não sei nada do escândalo na Petrobras”, afirmou. 
Presidente do PMDB em Minas, o vice-governador Antônio Andrade não comentou a inclusão de seu nome na lista de testemunhas de defesa de Cunha. Segundo a assessoria de imprensa da vice-governadoria, Antônio Andrade não foi localizado. 
Um dos mais bem votados pelo PMDB no Estado, o deputado estadual João Magalhães, que por cinco mandatos consecutivos ocupou uma cadeira na Câmara, não atendeu às ligações. Segundo a secretária dele na ALMG, Magalhães estava em viagem no interior, “onde nem sempre há sinal de celular”. 
O deputado federal Leonardo Quintão também não atendeu ao telefone. Segundo a assessoria de imprensa, ele estava viajando.
5 milhões de reais é o valor que Cunha teria recebido de propina em negócio frustrado da Petrobras em poço de petróleo na áfrica
Francos suícos
O economista Felipe Diniz não foi localizado. Filho do deputado falecido Fernando Diniz, ex-líder do PMDB na Câmara, ele foi apontado por Cunha como autor do depósito de 1,3 milhão de francos suíços na conta em que o ex-parlamentar foi beneficiário na Suíça. 

Segundo Cunha, o dinheiro foi repassado a título de empréstimo ao pai de Felipe e pago por ele. Cunha foi preso na “Lava Jato” justamente por esse depósito.
A informação sobre o depósito, feito por meio de cinco transferências, foi dada ao Ministério Público Federal em depoimento de João Augusto Henriques, lobista supostamente ligado ao PMDB. O partido nega.