Servidores da saúde do Estado de Minas Gerais decidem manter mobilizações

Sindicalistas reclamaram da falta de diálogo por parte do governo de Minas

O Tempo

Sem reajustes salariais há três anos, os servidores públicos da saúde do Estado de Minas Gerais realizaram uma paralisação nesta terça-feira (8), em Belo Horizonte. De acordo com os sindicatos responsáveis pela mobilização, trabalhadores de nove hospitais, servidores da segurança pública penitenciária e de outras pastas participaram do ato.
Em assembleia, os servidores decidiram manter as mobilizações na tentativa de construir uma greve geral para pressionar o governo do Estado. O diretor político do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Públicos do Estado de Minas Gerais (SindPúblicos-MG), Geraldo Henrique, diz que a reunião realizada pelos servidores reuniu 1.200 pessoas de diferentes áreas no vão de entrada da Assembleia Legislativa. Ele criticou a falta de dialogo do governo do Estado com os trabalhadores. "Não estamos sendo recebidos pelo governador. Estamos recebendo muito depois do quinto dia útil, com o pagamento fracionado e sem perspectiva do pagamento do 13º ser feito em dia", declarou.
A paralisação atingiu o atendimento do Hospital João XXIII, já que parte dos funcionários aderiram ao movimento. Segundo a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) o tempo de espera para procedimentos de menor urgência foi maior, mas nenhum paciente deixou de ser atendido.
Carlos Martins, da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), disse que a saúde do Estado passa por um processo de sucateamento que leva insegurança para servidores e pacientes da saúde pública. "Quase 50% dos terceirizados que trabalhavam na segurança e nas portarias dos hospitais foram demitidos, estamos todos vulneráveis", declarou. Martins também questionou a suspensão de serviços de manutenção de equipamentos e da estruturas dos hospitais e a redução do quadro de funcionários da enfermagem.
Ele lembrou a situação do hospital regional de Barbacena, que está sem tomógrafo devido à demora na troca de uma peça do equipamento, obrigando os pacientes a serem atendidos em hospitais particulares. A Fhemig informou que o reparo do aparelho já foi encaminhada.

O presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária de Minas (Sindasp-MG), Adeilton de Souza Rocha, criticou a postura do governo de Minas, que segundo ele não cumpre o que é acertado com os sindicatos. "Eles judicializam todos os direitos dos servidores, todas as conquistas. E quando faz acordos não cumpre", questionou. Rocha alertou para a situação carcerária no Estado, que segundo ele está perto de ver emergir problemas que haviam sido superados. "Estamos tendo uma rebelião ou motim por dia nas prisões, coisa que não acontecia a mais de dez anos", disse. Segundo ele, no fim do ano a categoria vai iniciar uma operação padrão como forma de pressionar o governo.
Por meio de nota a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) informou que está em permanente contato com os servidores e que a situação financeira do Estado é decorrente dos problemas de arrecadação. "O Governo mantém permanentemente discussão com as entidades sindicais para discussão de pautas que poderão ser aplicadas em momento oportuno, vencidas as vedações impostas pelas restrições financeiras e pela Lei de Responsabilidade Fiscal", informou a pasta.