PCMG prende suspeito por golpes imobiliários milionários em Belo Horizonte

A Polícia Civil de Minas Gerais, durante operação realizada nesta quinta-feira (17), cumpriu mandados de prisão preventiva contra Aloísio Santa Cruz Leonel, de 31 anos, sua esposa, Elisângela Ribeiro, 22, Alexandre Magno, 35, e Jonathan Pinto Magalhães, 20. Eles são suspeitos de integrar uma associação criminosa responsável por golpes imobiliários, que causaram um prejuízo estimado de R$ 15 milhões.

Divulgação PCMG
Coletiva de imprensa



As investigações, iniciadas há quatro meses, apuraram que o grupo, liderado por Aloísio, atuava em Belo Horizonte há pelo menos quatro anos. Apenas uma das vítimas chegou a ser lesada em quase R$ 2 milhões.

O esquema foi descoberto pela Polícia Civil a partir da apuração de um assalto cometido em Contagem no mês de agosto deste ano. Na ocasião, Aloísio teria negociado a compra de um veículo Land Rover de um médico residente no estado do Paraná. A vítima conduziu o veículo daquele estado até Contagem, onde mostrou o automóvel a Aloísio. Aloísio teria então simulado um pagamento à vista, momento em que Alexandre e Jonathan, comparsas do suspeito, renderam Aloísio e a vítima. Após sete horas mantida como refém na própria casa de Aloísio, a vítima foi liberada. Dias depois o suspeito registrou o veículo em nome de sua esposa, Elisângela, como se a transação tivesse sido lícita.

O veículo foi apreendido e, a partir do reconhecimento da vítima da casa do suspeito, a Polícia Civil passou a monitorar Aloísio e descobriu na capital diversas denúncias contra o suspeito, envolvendo crimes de estelionato complexos que conduziram para a descoberta de todo o esquema.

Golpes

De acordo com o apurado, os golpes de Aloísio consistiam em enganar uma variedade de vítimas durante negociações imobiliárias. Geralmente, o suspeito se apresentava como empreiteiro interessado na compra de um imóvel para a construção de um edifício e convencia o proprietário do imóvel a realizar um contrato de permuta, pelo qual o proprietário se dispunha a receber como pagamento do imóvel uma cobertura no edifício.
                                                                                Divulgação PCMG

Presos


Em seguida, Aloísio procurava uma pessoa interessada na construção de edifício e apresentava o contrato de permuta com a procuração do proprietário legal. Assim, o proprietário iniciava a construção no imóvel, enquanto Aloísio, sem a permissão do construtor, vendia os apartamentos na planta. Enquanto a construção não era finalizada, o suspeito buscava interessados na compra à vista de um apartamento e, após receber o primeiro pagamento, já vendia o mesmo imóvel para outros interessados, gerando, com isso, o registro de um mesmo imóvel por diferentes compradores. Para levar adiante o golpe, procurações e outros documentos eram forjados.

Quando as vítimas descobriam se tratar de um golpe e procuravam pelo suspeito, Aloísio usava de intimidações e ameaças, dizendo-se influente nos meios policiais e jurídicos.

Conforme destacou o delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, o dom de Aloísio para articular as negociações e conquistar a confiança das vítimas sustentava o golpe até que fosse tarde a descoberta. “Ele é um indivíduo extremamente inteligente e articulado. Com a lábia ele era capaz de organizar esquemas fraudulentos que causaram prejuízos milionários”, ressaltou. Ainda de acordo com o delegado, já foram identificadas pelo menos 14 vítimas, mas a polícia suspeita que possam surgir ainda outras no curso das investigações. “Já tomamos as medidas para solicitar o bloqueio de bens do suspeito e tentaremos centralizar os inquéritos que correm contra ele em diferentes delagacias para identificar todas as vítimas”, informou.
Aloísio irá responder pelos crimes de estelionato, associação criminosa e roubo qualificado, cujas penas somadas podem chegar até 20 anos de prisão. Alexandre e Jonathan serão indiciados por roubo, enquanto Elisângela é investigada por possível lavagem de dinheiro, uma vez que grande parte do patrimônio de Aloísio se encontra em nome dela.

As investigações continuam, e a Polícia Civil acredita que pelo menos outras dez pessoas possa estar envolvidas com o grupo criminoso.