Netflix cai numa armadilha e cede ao lobby dos cineastas de esquerda brasileiros

Por Daniel Moreno/Ilisp

Apavorado com a possibilidade de ser taxado com pesada tributação em forma de contribuição (Condecine) para a indústria audiovisual, o serviço de streaming Netflix (adorado pelo público e reconhecido pela capacidade de prestar serviços com preço baixo) assume a mesma estratégia tentada por distribuidores e exibidores estrangeiros no Brasil: ceder aos caprichos do lobby cinematográfico brasileiro – mesmo que isso signifique contrariar sua própria base de clientes – na vã esperança de que, desta forma, a regulação tenha misericórdia de seu negócio. Não funcionou antes e não funcionará agora: quanto mais as empresas do setor cedem à intervenção, maior se torna a demanda dos cineastas nacionais por maiores concessões e (muito mais) dinheiro.
O que o lobby do audiovisual nacional quer do Netflix? Duas coisas: cota de conteúdo brasileiro dentro do acervo disponível e taxação dos títulos estrangeiros, de modo que tal montante seja revertido para novas produções nacionais – o que, por sua vez, aumentará a oferta de títulos nacionais, o que renovará a sensação de que “não há espaço” para o Cinema Brasileiro, demandando uma nova rodada de intervenção, e assim sucessivamente, até o dia em que haverá mais filmes brasileiros que habitantes no território.
Como o Netflix responde a isso? Criando uma “competição” entre filmes brasileiros pré-escolhidos, um factoide semelhante àquele da rede de exibição Cinemark com um dia inteiro dedicado às produções nacionais. Desde que essa iniciativa iniciou, a cota de tela (a obrigatoriedade de reservar um número mínimo de sessões de cinema anuais para os filmes brasileiros) só aumentou.
Teoria da conspiração? Vejamos o Prêmio Netflix Brasil. Em sua segunda edição (a primeira, em 2013, foi vencida por um filme cujo protagonista era Gregório Duvivier), dez filmes concorrem pela preferência do público. Como se chegou a esta lista de filmes? Ligada à RioMarket, a comissão de jurados teve a atriz Alice Braga (apoiadora declarada do PT), o diretor Fernando Andrade (célebre pelo documentário “Quebrando o Tabu” e que atualmente adapta um livro de Dráuzio Varella, outro ícone da esquerda), o fotógrafo César Charlone (apoiador declarado do PT e de Dilma Rousseff), a diretora Adriana Dutra, mais dois youtubers e um ator. Dutra chegou a defender a obrigatoriedade de canais de TV aberta exibirem conteúdo independente, uma demanda da esquerda cinematográfica para impor sua própria produção ao grande público.
Entre os dez filmes impostos ao público na votação, pelo menos oito de seus diretores estão na lista de apoiadores de Dilma Rousseff citada. Se considerarmos que uma mesma cineasta aparece como diretora de dois filmes, podemos afirmar seguramente 90% dos filmes escolhidos pelo Netflix foram criados por petistas ou simpatizantes da ex-presidente. Não é necessária muita imaginação para formar um perfil ideológico e estético das produções oferecidas à audiência por essa lista e como ela não reflete a preferência do público brasileiro que acessa o serviço. A reação a ela reflete-se na baixa adesão à votação: foram somente 35 mil votos em mais de um mês de votação.
O que podemos esperar de todo esse movimento? Ao abrir espaço à esquerda cinematográfica, quase todos cineastas nacionais que atuam via mecanismos de incentivo público à produção, o Netflix segue o mesmo caminho trilhado anteriormente pelas grandes distribuidoras de Hollywood que atuam no Brasil: há anos implorando pelo perdão dos cineastas brasileiros pelo indesculpável sucesso dos filmes importados que o público prefere quando chega na bilheteria dos cinemas. Uma trégua impossível exatamente pelo fato – incompreensível aos executivos americanos – de que o objetivo dos revolucionários da esquerda no cinema brasileiro é o controle total de todas as etapas e setores da indústria cultural, não havendo espaço para bobagens burguesas como “preferência do público” ou “livre concorrência”.
Num futuro próximo, o aceno do Netflix piorará a oferta aos seus clientes e possivelmente resultará em mensalidades mais altas assim que a inevitável Condecine do streaming começar a funcionar. Não seria mais inteligente abraçar seu público e peitar o lobby dos cineastas e a meia dúzia de políticos esquerdistas que lhes dá suporte?