Muro desaba e mata mulher na região Centro-Sul de Belo Horizonte

Parede caiu em parte do quarto em que a mulher estava; em agosto, Defesa Civil constatou que havia infiltrações no muro

O Tempo

Uma mulher de 63 anos morreu após o muro da casa dela desabar, na manhã desta quarta-feira (16), no bairro Santo Antônio, região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Ângela de Fátima Fernandes, de 63 anos, que dormia em um quarto do lado de fora do imóvel, na rua Abre Campo, foi encontrada pelo pai. “Ele levantou para fazer café, e, ao chegar na varanda dos fundos, viu os escombros e ligou para o meu irmão”, contou Raquel, de 62. Militares foram acionados, mas já encontraram a vítima, que cuidava do pai de 83 anos e da mãe de 84, que sofre de Alzheimer, sem vida.
“Chegamos com sete minutos após o chamado e vimos a Ângela soterrada e com rigidez cadavérica. O óbito foi confirmado pelo Samu”, explicou o tenente Sérgio Magalhães, do 1º Batalhão. O idoso disse a familiares que, com o barulho da chuva e pelo fato do quarto da filha ser na parte externa, não ouviu nenhum estrondo.
Notificações
Em menos de 30 dias, a Defesa Civil foi chamada na residência por duas vezes. No dia 17 de agosto, os agentes constataram infiltrações no muro de Ângela, seguido de escorrimento de lama e com odor semelhante a esgotamentos sanitários. Pelo lado do condomínio não foram percebidas avarias, porém, foram vistas caixas de captação hidrossanitárias próximo à divisa entre os imóveis.
“A senhora Ângela foi notificada para contratar um profissional habilitado a avaliar a estrutura e condições de segurança do local”, disse o vistoriador Nilson Luiz da Silva. Mas o técnico não foi chamado.
No dia 8 de setembro, novas vistorias foram realizadas nos dois imóveis. Dessa vez, o condomínio foi notificado a verificar os vazamentos em função do corrimento de água na casa da vítima. Pelo interfone, a síndica informou que a manutenção no prédio foi realizada em outubro. A Defesa Civil esteve no imóvel na manhã de ontem e fez contato com ela.
“Quando fizemos a vistoria na casa da Ângela, não havia risco iminente de queda do muro dela. Por esse motivo, não foi solicitado que ela saísse da casa, mas que arrumasse um profissional para que ele avaliasse a melhor solução técnica”, finalizou o agente.
Chuva não provocou queda de muro, diz Defesa Civil
 
Para o vistoriador Nilson Silva, o desabamento da estrutura que matou Ângela não foi causado pela chuva que atinge BH nos últimos dias. “Pelo que analisamos, a queda do muro não tem relação com a chuva, e sim com a fragilidade dele, que tinha uma estrutura antiga e precisava de manutenção”, disse.
 
Ainda conforme o agente, não se pode culpar o problema no edifício com o acidente. “Ainda não sabemos o motivo exato da queda, mas não podemos relacionar o desabamento com a água de vazamento do condomínio”.

Raquel afirmou que a irmã não tinha noção do risco que corria. “A Defesa Civil disse que a chance do muro cair não era grande. A Ângela estava esperando a chuva passar para chamar o técnico”, contou. 
 
Ocorrências Nos últimos cinco dias, o Corpo de Bombeiros foi acionado para atender 97 ocorrências relacionadas à chuva. Segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (16), foram 67 ocorrências de cortes de árvores caídas em vias públicas, 21 de corte de árvores com risco de queda, 8 ocorrências de desabamento e um caso de inundação.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, de janeiro a outubro deste ano, a corporação foi acionada para atuar em 190 ocorrências de desmoronamento e 483 casos de inundação.