Motoristas do Uber fazem passeata após colega ser vítima de latrocínio

Michael Ramos de Sá Faria, de 33 anos, foi roubado e morto, no bairro Cabral, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, na tarde dessa terça

O Tempo

Cerca de 50 motoristas parceiros da Uber participaram de um protesto, na manhã desta quarta-feira  (9), pedindo mais segurança após a morte de Michael Ramos de Sá Faria, de 33 anos. Ele foi vítima de latrocínio, roubo seguido de morte, no bairro Cabral, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Na tarde dessa terça-feira (8), o homem foi abordado por dois homens na alameda dos Cisnes, quando aguardava um passageiro. Suspeitando da dupla, uma moradora alertou o motorista, que tentou fugir, mas levou um tiro no ombro e morreu no local.

Os ladrões fugiram com o veículo, um Voyage, e documentos de Faria, que só foi identificado horas depois. Ninguém foi preso.
"O Micael começou a rodar no Uber há oito meses, parou e retornou nesta semana. Ele ia parar novamente na sexta-feira, quando viajaria com a mulher, os filhos e amigos para Porto Seguro a passeio", contou o construtor Evaldo Viana, de 48 anos, amigo da família. Segundo ele, antes de começar no Uber, Faria era mecânico. Ele deixa dois filhos de 3 e 1 ano.

O corpo de Faria é velado no Cemitério Bosque da Esperança, no bairro Jaqueline, na região Norte de Belo Horizonte, onde será sepultado.  


Denúncia. Motoristas parceiros da Uber afirmam que a segurança acabou depois que a empresa começou a aceitar corridas pagas no dinheiro.

"É muito fácil criar um email fake, comprar um chip e cadastrar o CPF de outra pessoa. Na semana passada, peguei três jovens, um deles armado, no bairro Céu Azul e fiquei rodando com eles por três horas por Belo Horizonte, até que a polícia saísse do bairro que eles queriam ir", contou um motorista, que pediu para não ser identificado.

A corrida ficou no valor de R $ 170, o trio deu R $ 200 e afirmou que não queria troco. No entanto, nem sempre bandidos pagam pelo serviço. Um outro motorista, também sob anonimato, contou que já foi obrigado a rodar no aglomerado Pedreira Prado Lopes, região Noroeste da capital, com criminosos. "Eles disseram que iam lá 'buscar o movimento'. Passaram em vários pontos da favela recolhendo dinheiro e depois disseram que a Uber pagaria a corrida. Saíram do carro rindo da minha cara", contou o motorista, que foi reembolsado pela empresa.