Laudo aponta que morte de torcedor foi causada por choque elétrico

Eros morreu após esbarrar em um adaptador rompido durante conflito comsegurança

 
Divulgação PCMG

A Polícia Civil de Minas Gerais divulgou, na manhã desta quinta-feira (24), parte do inquérito policial que investiga a morte do torcedor Eros Datilo Belizário, de 37 anos, fato ocorrido durante jogo de futebol realizado no Mineirão, no dia 26 de outubro deste ano. Conforme resultado de exame anatomopatológico, ficou comprovado que Eros foi vítima de eletroplessão, ou seja, morte por choque elétrico. 


O delegado que preside o inquérito policial, Luiz Otávio Mattosinhos, ressaltou que foram solicitados quatro exames ao Instituto Médico Legal (IML) e seis ao Instituto Criminalístico (IC) na intenção de não restar qualquer dúvida quanto à dinâmica dos fatos.

Entre os exames requisitados estão o de DNA, cujo resultado foi positivo para a pele encontrada em um adaptador de tomada existente na sala de ocorrência do conflito, e o de Verificação de Edição em Registros de Imagem, que comprovou a autenticidade dos vídeos do circuito interno do estádio.

A chefe da seção técnica de perícias de Crimes Contra a Vida da Polícia Civil, Flávia Armani, explicou que os laudos de Vistoria Estrutural em Imóvel (referente a queda de energia no local), assim como o de Reprodução Simulada dos Fatos, já foram concluídos, restando apenas a documentação final para inclusão nos autos. No entanto, todos os resultados já são de conhecimento da equipe que investiga o caso.

Até o momento, 11 testemunhas já foram ouvidas, entre elas seguranças; esposa da vítima; médica e enfermeiras que prestaram os primeiros atendimentos; torcedores amigos da vítima; funcionário Minas Arena responsável pela sala onde ocorreu a eletroplessão. Outras seis pessoas ainda serão ouvidas antes da finalização do inquérito.

Dinâmica dos fatos


Na noite do dia 26 de outubro, Eros, acompanhado de uma amiga, compareceu ao estádio Mineirão, onde ocorria o jogo da semi-final da Copa do Brasil. O torcedor portava ingresso que dava acesso ao setor vermelho do estádio, mas pretendia encontrar-se com a torcida organizada, a qual é integrante, no setor laranja.

Em um primeiro momento, Eros se aproxima do segurança responsável pela guarda do acesso entre os setores. Ele tenta convencê-lo a permitir a troca dos setores, mas o funcionário explica que o estádio é monitorado por câmeras de segurança, não sendo possível tal alteração.

Inconformado, Eros retorna, minutos depois e ultrapassa a grade de proteção. O segurança tenta detê-lo pelo braço esquerdo, sem sucesso. Ele então vai atrás do torcedor e tenta contê-lo, inclusive com uma rasteira, mas Eros permanece resistindo à abordagem. Durante o conflito, os dois caem sobre uma porta que, com o peso dos corpos (cerca de 200 quilos) cede.

Conforme explicou o delegado Luiz Otávio, a porta estava trancada, mas a força foi tamanha, que acabou cedendo ao peso. Durante perícia técnica, foram verificados danos no marco da porta, o que fortalece a tese de que o torcedor não foi encaminhado à sala pelo segurança.
Dentro da sala, Eros acaba encostando na parede onde havia uma lanterna conectada à tomada, esta, acoplada a um adaptador (popularmente conhecido como benjamin). Com o peso e movimento brusco do corpo de Eros, esse adaptador se quebra, deixando expostas duas placas paralelas de metal, condutoras de corrente elétrica (220v).

O contato com o objeto deixou uma ferida na região infraescapular esquerda (costas) do torcedor. Nas placas metálicas foram encontrados pedaços de pele, que em exame de DNA constatou-se serem compatíveis com material genético colhido de Eros. O delegado chama atenção para o fato de que, durante todo o conflito, o funcionário e o torcedor estavam um de frente para o outro.

O delegado Luiz Otávio explica que, nesse episódio, “ocorreu o que se denomina juridicamente como caso fortuito, quando o acontecimento é imprevisível, imprevisto e inevitável, fugindo do controle da vontade humana. Portanto, não haverá indiciamento neste inquérito, considerando a atipicidade do fato”. 

Atendimento

Fora da sala, o torcedor recebeu os primeiros atendimentos, momento em que são realizadas manobras cardíacas, de oxigenação e intubação. A equipe médica ainda tentou estilizá-lo, mas ele já chega ao hospital sem vida. Em virtude das intensas manobras de ressuscitação, foi constatada uma fratura no osso esterno de Eros.


Confira apresentação completa do caso no arquivo anexo abaixo. 

Arquivo Anexo

Download   CASO MINEIRÃO- inclusão (1).ppt