"Falta de Segurança" Quase metade dos moradores de Guarujá se mudaria de cidade, diz IPAT

Pesquisa ouviu 800 pessoas. A maioria quer ir embora devido à falta de segurança na Cidade

A Tribuna

O estudo constatou que, se pudesse, metade dos entrevistados se mudaria de Guarujá (Foto: Rogério Soares)

Quando descobriu que estava grávida, a manicure guarujaense Thayná Santos, de 21 anos, logo providenciou, com a ajuda da família, plano de saúde para o filho. “Minha comadre está esperando para fazer exames (em Guarujá) há mais de dois anos, então não quis correr riscos”. Outro problema enfrentado pela moradora é a sensação de insegurança. “Se pudesse eu me mudaria daqui, de preferência para Santos”.

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A manicure, entrevistada aleatoriamente pela Reportagem na Praça 14 Bis, em Vicente de Carvalho, praticamente personifica os números de um levantamento realizado em 26 de outubro pelo Instituto de Pesquisas (IPAT) com 800 moradores da Cidade.

O estudo constatou que, se tivesse possibilidade, praticamente metade dos entrevistados (48,6%) se mudaria de Guarujá. Outros 2% não souberam responder, enquanto 49,4% não pensam em sair.Na visão de Thayná, a área da saúde deve ser a prioridade do próximo prefeito, Válter Suman (PSB). Entretanto, não é a única: a segurança também está no foco. Moradora do Parque Estuário, em Vicente de Carvalho, a manicure não leva mais o celular quando percorre distâncias a pé. “Meu irmão foi roubado há dois meses às 16h30 enquanto caminhava na Avenida Presidente Vargas. Tenho medo de assaltos”.
Causas

Assim como Thayná, a maioria quer ir embora devido à falta de segurança (37,7%). Outros 25,4% fariam isso por causa da escassez de empregos e oportunidades de trabalho, enquanto 22,1% atribuem essa intenção à má qualidade dos serviços públicos.
Ao todo, 9,5% dos que participaram da pesquisa apontam outros motivos para quererem ir embora da Cidade – sendo o principal, escolhido por 37,5% desses, os problemas na saúde. Não por acaso, área que, na visão de 66% dos entrevistados, deve ser a prioridade do futuro prefeito de Guarujá. Outros 12% destacam a segurança como prioridade, seguida por Educação (8,1%) e eliminação de favelas e de novas áreas de invasão (3,9%). Para 3,3% dos que participaram do levantamento, o foco deve ser no estímulo ao turismo para gerar emprego e renda.
Diferenças

Homens e mulheres pensam igualmente em se mudar (48,5%). Entretanto, quando se trata de faixa etária, essa é uma possibilidade mais encarada por jovens de 18 a 24 anos (64,7%) e adultos de 35 a 44 anos (55,6%), assim como por quem ganha mais de R$ 8 mil (77,8%) e tem maior escolaridade: 60% dos que têm Ensino Superior incompleto e 55,1% dos que cursaram toda a faculdade (55,1%).

Moradores de Vicente de Carvalho também pensam mais em se mudar do que os da sede da Cidade (49,3%, contra 48,1%, respectivamente).Já quanto aos motivos que levam a isso, para a maioria (37%) dos homens e das mulheres trata-se da falta de segurança, que tem sua maior crítica entre os moradores de 60 a 69 anos (64,4%). A falta de empregos e oportunidades de trabalho é mais criticada pelas mulheres (29,2%, versus 21,7% dos homens) e por pessoas com faixas etárias de 16 e 17 anos (100%) e 18 a 24 anos (40,4%).
Metade dos entrevistados foi assaltada

Dos 800 entrevistados, a maioria (53,4%) já foi assaltada em Guarujá, sendo 21,7% desses ao menos uma vez. Outros 16,3% já foram roubados duas vezes e 15,4% já passaram por essa situação três vezes ou mais. A sensação de insegurança, entretanto, é quase geral: 81,1% deles não considera a Cidade segura.
Esse sentimento é maior entre mulheres (82,1%, contra 80,3% deles) e se destaca especialmente entre pessoas da faixa etária de 16 a 24 anos (mais de 90%), Ensino Superior incompleto (91,3%) e moradores que ganham acima de R$ 8 mil (88,9%). Também é mais sentida em Vicente de Carvalho (82,2%) do que na sede do Município (80,5%).
As mulheres têm razão para se sentirem assim, já que a maioria delas (56,7%) já foi assaltada, contra metade dos homens. A faixa etária que mais sofreu com isso foi a de 35 a 44 anos (58,1%), além de pessoas com Ensino Superior completo (68,3%) e com renda de R$ 4 a 8 mil (71,7%). Os entrevistados de Vicente de Carvalho foram mais assaltados que os de Guarujá (56%, contra 51,9%).