Dois mineiros foram presos na travessia da fronteira dos EUA

Família de mineiro morto diz que amigos de infância conseguiram cruzar a nado, mas foram presos por autoridades dos Estados Unidos

Jeferson Oliveira morreu na tentativa de atravessar a fronteira dos Estados Unidos com o México

Dois mineiros foram presos pelas autoridades norte-americanas na tentativa de travessia da fronteira dos Estados Unidos no mesmo dia em que Jeferson Eduardo de Oliveira, de 20 anos, morreu. Uma fotografia apresentada à família mostraria outros dois corpos ao lado do mineiro, que, segundo a esposa dele, apresentava marcas de agressão. O Itamaraty não confirma quantos brasileiros morreram.
Tayná de Assis conta que Jeferson conseguiu US$ 19 mil com familiares para tentar realizar o sonho de morar em Massachusetts, estado norte-americano onde vive um tio do rapaz e muitos dos amigos de infância. “Eu não tinha vontade, mas, como era o sonho dele, eu iria depois”, diz a jovem, casada há menos de um ano com Jeferson.
O valor teria sido entregue aos 'coiotes' do Vale do Rio Doce para arcar as despesas da viagem rumo ao México e os custos com os atravessadores. Assim como ele, outros dois amigos da região de Sobrália, cidade do Vale do Rio Doce em que o casal morava, tentaram a travessia rumo ao sonho americano.
Em contato com os 'coiotes', Tayná foi informada que o esposo teria morrido afogado na travessia. “Encontraram ele na água, com marcas de agressão. Não chegou a cruzar a fronteira”, diz Tayná. Os dois amigos, por sua vez, conseguiram cruzar a fronteira, mas foram presos no Texas. Uma suspeita da família é que ele teria sido assassinado por mexicanos devido a uma dívida dos coiotes com os colaboradores mexicanos.
Depois de terem sido informados da morte, familiares de Jeferson ligaram para o Whatsapp do rapaz. Do outro lado da linha, ouviram palavras em espanhol, além de risadas. “Não deu para entender muita coisa”, diz a esposa.
O pai do jovem, Reginaldo Oliveira, tenta agora juntar dinheiro para viajar até o México para acelerar o traslado do corpo do filho. Na sexta-feira, ele esteve em Belo Horizonte para conseguir um passaporte emergencial na Polícia Federal. Atordoado, ele diz não saber ao certo o que fazer. “Preciso embarcar para o México, mas ainda não consegui o dinheiro todo”, conta ele, que, retornou ao Vale do Rio Doce.
 

Fonte: O Tempo