Deputado também questiona conduta da PM durante encenação em Santos

Requerimento solicitando a convocação do responsável pela corporação foi apresentado à comissão na Alesp

A Tribuna

Peça foi encenada na Praça dos Andradas, em Santos,
no último domingo (Foto: Reprodução)

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) apresentou um requerimento à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo, solicitando a convocação do responsável pelo Comando da Polícia Militar em Santos (6º BPM/I), a prestar esclarecimentos sobre a motivação para a repressão a uma apresentação teatral no Centro da Cidade, no último fim de semana. 
A ação da PM acarretou a detenção do diretor Caio Martinez Pacheco e a apreensão do cenário usado durante o espetáculo. Na peça, encenada na Praça dos Andradas, uma das cenas mostrava personagens policiais de saia, dançando. A trama, chamada Blitz – O Império que Nunca Dorme, foi montada a partir de um edital aprovado no Programa de Ação Cultural (ProAC), do Governo do Estado de São Paulo – o que foi confirmado pela Secretaria de Cultura do Estado.
No documento enviado pelo deputado à comissão da Alesp, ele questiona qual teria sido a motivação para a interrupção da peça, a justificativa para a detenção do ator e se a apresentação era pacífica, cumprindo as exigências para sua realização. 
O tema foi levado ao plenário da Casa na última segunda-feira. Segundo o deputado, o episódio também deverá ser levado ao Ministério Público Estadual, para que investigue e apure se na ocasião houve excesso por parte da Polícia Militar. 
“Foram cenas da ditadura militar. Na ditadura militar que se fazia isso, interrompia peças, prendia artistas. Estamos tomando providências em relação a isso. Além do requerimento protocolado aqui na Assembleia Legislativa, também estamos pedindo explicações da Corregedoria da Polícia Militar, que tem que punir essas pessoas, principalmente quem ordenou esse ato fascista e autoritário”, declarou.  
Em entrevista na última terça-feira (1), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), declarou considerar o espetáculo de “mau gosto”, mas afirmou que o caso deverá ser apurado pela Secretaria de Segurança Pública. 
"Claro que a atitude deles [atores] foi de muito mau gosto. Você virar de ponta-cabeça a bandeira brasileira, ridicularizar quem está trabalhando, colocando até sua vida em risco para defender a sociedade, é de muito mau gosto. Agora, liberdade de expressão é liberdade de expressão. Goste ou não goste, é um direito das pessoas", afirmou.

Em nota enviada à imprensa na segunda-feira (31), o comando da Polícia Militar na Baixada Santista informou que solicitou os registros da ocorrência para analisar a conduta dos policiais militares que participaram da ação.