Delação premiada de Marcos Valério pode comprometer pelo menos 150 pessoas

A defesa de Marcos Valério, operador do mensalão do PT e acusado de envolvimento no esquema de caixa 2 do PSDB, prepara delação premiada que pode atingir 150 pessoas, entre eles integrantes do Legislativo, Executivo e Judiciário.

Hoje em Dia

No documento em que formalizou o acordo, mais de cem anexos foram protocolados.

Segundo o advogado do publicitário, Jean Kobayashi, a intenção é finalizar a delação até o fim do ano. “Valério já está escrevendo o texto e nós estamos juntando os documentos”, afirmou.

Com a delação, o operador do mensalão pretende reduzir a pena com relação ao mensalão do PSDB. No caso do mensalão do PT, ele já foi condenado a 37 anos de prisão. Desde novembro de 2013, o publicitário cumpre pena na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem.
O esquema de corrupção teria financiado a campanha de reeleição de Eduardo Azeredo, em 1998. Azeredo é um dos fundadores do PSDB e ex-presidente da legenda. O mensalão tucano é considerado um “embrião” do petista. O publicitário também pleiteia uma transferência para a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac). Acusado de ser o operador do esquema, Marcos Valério é acusado de peculato, evasão de divisas, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, entre outros. 
Tudo indica que o conteúdo dos documentos será relevante para o entendimento da Justiça em relação a assuntos que ainda esperam esclarecimento, como a possível chantagem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria sofrendo. 
A revelação foi feita por Valério em depoimento ao juiz Sérgio Moro, em setembro. O motivo da chantagem e o autor não foram informados. Conforme o advogado do acusado, estas questões seriam detalhadas na delação.
No fim de setembro, após depoimento prestado a Moro, o publicitário foi ouvido por procuradores federais e pelos promotores do Ministério Público de Minas (MPMG) em Belo Horizonte. 
Segundo fontes que não quiseram se identificar, Valério já teria mentido em delação premiada anteriormente, o que estaria dificultando as negociações desta vez. “Tudo o que o Marcos Valério falou em 2012 foi comprovado com a prisão de Bumlai e Palocci”, defendeu, na época, Kobayashi.