Criança é baleada durante troca de tiros na Vila São Paulo, em BH

Menino de 9 anos está internado no João XXIII e não corre risco de morte; moradores se revoltaram e colocaram fogo em ônibus; um jovem de 18 anos foi preso

O Tempo


Uma denúncia de roubo, em frente ao Minas Shopping, na região Nordeste de Belo Horizonte, na noite dessa segunda-feira (21), levou a Polícia Militar (PM) a perseguir suspeitos até a Vila São Paulo, onde houve troca de tiros e um menino de 9 anos acabou baleado.
Segundo a polícia, uma viatura perseguia quatros pessoas em duas motos. Em alta velocidade pelas ruas, eles chegaram até o beco Aranã, onde começaram os tiros. Um dos condutores, um jovem de 18 anos, ficou preso com a queda da motocicleta sobre ele e acabou detido. O veículo foi apreendido.
A presença dos militares no local gerou reação dos moradores que arremessaram pedras e pedaços de madeira contra a corporação, além de soltarem fogos de artifício. Em meio ao tumulto, uma mulher afirmava "aqui vocês não podem prender ninguém, nós que mandamos aqui, daqui não sai com ele". Os policiais reagiram atirando balas de borracha. Uma outra mulher teria sido atingida.
Os policiais afirmaram não saber se atingiram alguém. A criança foi levada para Unidade de Pronto de Atendimento no bairro São Paulo e transferida para o Hospital João XXIII, onde segue internada. Uma bala atingiu a cabeça do menino. Ele não corre risco de morrer.
Revoltados, moradores pararam um ônibus da linha 3503A (Santa Terezinha/São Gabriel) com pedradas, jogaram álcool e atearam fogo. Ainda, fizeram barricadas, colocando fogo em pneus e móveis. Segundo o Corpo de Bombeiros, 1,5 mil litros de água foram usados pagar apagar as chamas. Ninguém se queimou. O veículo ficou danificado.

Dados

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), em 2015, nove ônibus urbanos foram incendiados na capital mineira, superando o número registrado em 2014, quando oito veículos foram queimados. Cada veículo queimado ou depredado, nos cálculos do sindicato, deixa de atender, em média, a cerca de 500 usuários por dia útil.
Em resumo, um ônibus queimado significa, além do prejuízo de R$ 360 mil, um veículo a menos na linha por tempo não inferior a 150 dias ou a sua substituição temporária por outro veículo da reserva.