Contra PEC 55, professores da UFMG entram em greve

Docentes da UFOP também decidiram na última sexta-feira (15) por paralisar suas atividades por tempo indeterminado

O Tempo

Greve dos professores aprovada em assembleia no Campus Saúde

Os professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) iniciaram nesta quarta-feira (16) uma greve geral. A decisão dos docentes endossa o movimento dos universitários que ocupam o campi e se posicionam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que limita o crescimento dos gastos públicos para os próximos 20 anos.
Atualmente a UFMG conta com mais de 3.000 professores efetivos, segundo informou o Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (Apubh). Com a greve quase 49.000 estudantes matriculados na instituição são afetados.
A pesar de afirmar que a greve foi iniciada nesta quarta, o sindicato que representa a categoria ainda não tem um levantamento sobre a adesão. "Estamos seguindo todos os tramites legais. Após a assembleia de sexta, comunicamos a reitoria sobre a decisão dos professores, decidimos por seguir a lei e manter o funcionalismo mínimo exigido e a guardamos uma posição de cada campus informando sobre a adesão", explicou o vice-residente da Apubh, professor Dalton Rocha Pereira.
Os rumos do movimento grevista serão pontuados durante uma assembleia dos trabalhadores que será realizada nesta quarta-feira (16). "O que já foi definido e deliberado na última assembleia é que vamos manter a greve até a votação final da PEC no Senado", revela Pereira.
A primeira votação na Casa está programada para o dia 29 de novembro. Se o texto for aprovado, o segundo turno deve ocorrer no dia 13 de dezembro. Caso a Proposta de Emenda à Constituição 55 um parecer favorável, uma nova assembleia será realizada pelos professores para decidir os próximos passos dos docentes.
Solução para o conflito. Para esses profissionais da educação, uma solução para encerrar o impasse entre favoráveis e contrários a PEC 55 seria a realização de um referendo.
"Achamos que o Congresso, que está cheio de denunciado, não tem legitimidade para decidir algo tão importante que pode modificar a nossa constituição. A solução seria a realização de uma votação popular sobre o assunto", argumentou o vice-presidente da Apubh.
Deliberação da greve. Com a presença de 453 docentes na assembleia realizada na manhã da última sexta (11) no salão nobre do campus de Medicina da UFMG,  na área hospitalar da capital, a paralisação foi definida após 397 professores se posicionarem a favor da greve. A proposta recebeu 43 votos contrários e 13 docentes utilizaram o direito de se abster.
Na região Central do Estado, os professores, os técnico-administrativos e dos discentes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), também deflagraram a greve na última sexta (11).
Ao contrário do que estabeleceu os professores da capital, que determinaram um dia para o fim da paralisação, neste caso, os trabalhadores definiram parar por tempo indeterminado.

Além de se mostrar contrários a PEC 55, os servidores da UFOP também se posicionaram insatisfeitos com a Medida Provisória 746 - que prevê mudanças nas diretrizes do Ensino Médio-, aa o projeto de Lei Escola Sem Partido, a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista.
Em nota, a reitoria da UFOP afirma que recebeu os comunicados oficiais dos sindicatos dos docentes e dos técnicos administrativos e que irá organizar comissões de negociações para dar encaminhamentos que surgirem durante a paralisação.