Consumo abusivo de energético pode provocar hepatite aguda

EUA tiveram dois casos de complicações graves; em um deles, homem ingeriu até 5 garrafas por dia

O Tempo

Londres, Reino Unido. As bebidas energéticas são servidas em boa parte das festas e boates brasileiras. Mas o consumo em excesso é motivo de grande alerta, principalmente após dois casos de complicações graves terem sido registradas nos Estados Unidos.

O último deles foi de um homem de 50 anos, que sofreu uma hepatite aguda provocada provavelmente pelo consumo excessivo dessas bebidas, segundo revelou um artigo publicado nesta semana no “British Medical Journal” (BMJ). Esse é o segundo caso de intoxicação do fígado por energéticos descoberto por médicos norte-americanos, após outro identificado em 2011.

O paciente, um trabalhador da construção civil, passou a consumir uma quantidade abusiva da bebida energética – de uma marca não revelada – para poder “aguentar” o serviço. Segundo o relato no estudo, durante três semanas, ele bebeu entre quatro e cinco garrafas de energético por dia, e cada uma tinha o dobro do limite máximo diário recomendado de vitamina B3 (niacina), mas sem superar a quantidade considerada tóxica.

“A hepatite foi provocada provavelmente por um consumo excessivo de bebidas energéticas e, em particular, de vitamina B3”, apontam os autores do artigo, membros do Colégio de Medicina da Universidade da Flórida. Em condições normais, essa vitamina atua no funcionamento do sistema nervoso, com papel na função psicológica. Ela também contribui para a redução do cansaço e da fadiga.

Dores. Quando o paciente se apresentou na emergência do hospital, estava sofrendo de dor no estômago e vômitos havia duas semanas. Ele ainda apresentava quadro de icterícia e urina escura. As análises revelaram uma elevada concentração de enzimas chamadas “transaminases”, sinal de que o fígado está afetado.

Uma biópsia mostrou que o homem sofria de uma hepatite aguda severa, com necrose e redução da secreção biliar. O paciente tinha o vírus da hepatite C (HCV), mas essa não foi a causa da hepatite aguda, disse Jennifer Nicole Harb, uma das autoras do artigo.

Nos EUA, cerca da metade dos casos de insuficiência hepática aguda é provocada por medicamentos, plantas medicinais ou suplementos alimentícios, segundo os autores do artigo.

Efeito

Mistura com álcool seria como cocaína

West Lafayette, EUA. Pesquisadores da Universidade Purdue, em Indiana, nos EUA, fizeram testes em cérebro de ratos sobre o consumo de energético com álcool e observaram mudanças químicas em suas massas encefálicas muito parecidas com os efeitos da cocaína.

Uma lata de energético pode ter até dez vezes mais cafeína do que um refrigerante comum. Quando a bebida é ingerida com álcool ainda durante a adolescência, o centro de recompensas do cérebro é alterado – e os jovens sentem mais dificuldade em lidar com substâncias prazerosas. Os efeitos podem durar até a vida adulta.

Os ratos que tomaram álcool com energético se tornaram muito mais ativos (efeito esperado) e seus cérebros foram inundados pela proteína FosB, comum em quem abusa da cocaína ou da morfina. Quando adultos, os ratos se tornaram muito mais resistentes à sensação de prazer da cocaína – o que pode indicar possível vício.