Áudio revela que piloto informou a torre de controle de Medellím que estava sem combustível segundo antes da aeronave cair

Autoridades da Colômbia afirmam que não há indícios de querosene no aparelho da Lamia

El País

Miguel Quiroga, piloto do avião onde viajavam a equipe da Chapecoense e jornalistas, que se acidentou na segunda-feira numa montanha próxima de Medellín provocando a morte de 71 pessoas, alertou a torre de controle do aeroporto que o aparelho “tenha uma pane elétrica total” e que estava “sem combustível” antes de perder o sinal de radar, segundo confirma um áudio divulgado por vários jornais colombianos com a conversa entre o comandante e a controladora do aeroporto.
O voo da companhia boliviana LaMia pediu “aproximação imediata”, mas, à sua frente, como se pode escutar na gravação, outras aeronaves faziam procedimento de pouso.

 Esta é a transcrição da parte final da da conversa entre o piloto e a torre de controle.

Piloto: Senhorita Lamia 933 está em falha total, falha elétrica total, sem combustível.
Torre de controle: Pista livre e esperando a chuva sobre a superficie Lamia 933, bombeiros alertados.
Piloto: “Vetores, senhorita, vetores à pista!”,

Torre de controle: Vire à esquerda 0-1-0 proceder o localizador do borde Rionegro uma milha diante do Bora (...) confirmo pela esquerda com rumo 3-5-0.
Piloto: À esquerda, 3-5-0 senhorita. diz a voz vinda da cabine do avião.
Torre de controle: Sim, correcto, você está a uma milha do borde Rionegro.
Torre de controle: Não tenho com a altitude Lamia 933.
Piloto: 9000 pés senhorita.
Piloto: Vetores, vetores.
Torre de controle: Você está a 9,2 milhas da pistas.
Torre de controle: Qual sua altitude agora?
Torre de controle: Lamia 933 posição?
Ninguém responde. Nesse momento, ouve-se a voz de um homem na torre de controle: “Caiu”. Fim da gravação.
O áudio, difundido na manhã desta quarta-feira, coincide com a versão de um copiloto da aeronave da Avianca que voava naquele momento perto do avião da LaMia e que narra os instantes prévios à colisão. Os dois relatos indicam que o piloto informou à torre de controle que tinha problema de combustível. Fontes da Avianca confirmaram a este jornal que se trata de um copiloto da companhia, mas que o relato não reflete a posição da Avianca nem representa necessariamente o ocorrido. “Trata-se de uma mensagem pessoal”, afirmam as fontes.
Segundo o relato, a torre de controle mudou o rumo do avião da Avianca 9356 onde estava o copiloto. O testemunho prossegue contando que o piloto da LaMia só se declarou em emergência quando começou a descender. “A controladora lhe disse que informasse sobre o problema que tinha, e nesse momento [ele] disse: ‘Pane elétrica total, vetores para a pista, vetores para a pista’”. Então, segundo o relato, a comunicação foi interrompida. O copiloto afirma que, nesse momento, a voz da controladora se embargou, pois ela não pôde mais manter contato com o avião boliviano.

Ximena Suárez, a comissária de bordo que sobreviveu ao acidente, afirmou às equipes de resgate que a aeronave “apagou-se completamente” e “teve uma forte queda” antes de sofrer “um grande impacto”.
Essa mesma teoria de investigação foi confirmada pelo diretor da Aeronáutica Civil da Colômbia (Aerocivil), Alfredo Bocanegra: “Não existem evidências de combustível na aeronave.” Até o momento, as autoridades locais confirmam que têm conhecimento dessas duas gravações e reconhecem que “as levarão em conta para as investigações” em andamento, mas não entraram em detalhes sobre a sua veracidade. “Pedimos a essas pessoas que se apresentem ante a equipe de trabalho e nos entreguem pessoalmente os áudios ou os relatos”, diz a autoridade civil de aviação.
As autoridades aeronáuticas colombianas já iniciaram a análise das duas caixas-pretas do avião. Ainda se desconhecem as causas do acidente que provocou a morte de 71 pessoas. Ao longo do dia, as autoridades informaram que darão detalhes sobre as linhas de trabalho. O aeroporto de Medellín informou que o avião, com matrícula boliviana CP2933, “declarou-se em emergência” por volta de 22h (1h de terça-feira, pelo horário de Brasília) “com falhas elétricas, conforme foi informado à torre de controle da Aeronáutica Civil".
O avião que transportava a delegação da Chapecoense e jornalistas deveria ter pousado em Medellín por volta de 22h (hora local). “O avião pediu preferência para aterrissar em Rionegro, foi concedida, mas logo se perdeu o contato”, relatou Bocanegra. A emergência foi declarada “entre os municípios de La Ceja e La Unión”.
As duas caixas-pretas foram recuperadas “em perfeito estado”, o que permitirá conhecer os parâmetros de voo, os possíveis incidentes técnicos, as conversas entre os pilotos e a torre de controle e os diálogos dentro da cabine até o momento exato da queda. A descoberta das caixas-pretas foi confirmada pelo ministro de Transporte da Colômbia, Jorge Eduardo Rojas, que não quis antecipar hipóteses sobre as causas do acidente. Segundo o ministro, as duas caixas-pretas estão nas mãos dos investigadores aeronáuticos colombianos, assim como os motores do avião, para tentar descobrir o que causou o acidente quando a aeronave se aproximava do aeroporto internacional José María Córdova, em Medellín
 A teoria da falta de combustível é reforçada por um áudio, divulgado na noite da terça-feira, em que um copiloto da Avianca que voava nesse momento perto do avião da Lamia narra os momentos prévios ao acidente. Segundo esse depoimento, enquanto um avião da Viva Colombia fazia um pouso de emergência, o piloto do RJ-85 disse à controladora: “Solicitamos prioridade para proceder à pista, temos problemas de combustível.’ Lembro-me que o comandante disse: ‘Ele tem problemas de combustível e não vai se declarar em emergência?”, diz a voz nessa gravação. Uma fonte da Avianca confirmou a este jornal que se trata de um copiloto da companhia, mas que o relato não reflete a posição da Avianca nem representa necessariamente o ocorrido. “Trata-se de uma mensagem pessoal”, afirma essa fonte.
Segundo o relato, depois do pedido de prioridade, a controladora lhe disse que nesse momento outro avião estava fazendo um pouso de emergência. “Procedemos, procedemos”, teria dito o pilo do RJ-85. Nesse momento, a torre de controle alterou o rumo do avião da Avianca 9356 no qual viajava esse copiloto. O depoimento prossegue contando que o piloto do avião da Lamia só se declarou em emergência quando começou a descer. “A controladora lhe disse que informasse sobre o problema que tinha, e nesse momento ele disse: “Pane elétrica total, vetores para pista, vetores para pista”. “A controladora lhe dizia: responda, e voz da controladora se embargou, já estava supermal, nós começamos a chorar”, conclui o relato.
O aeroporto de Medellín informou que o avião, com matrícula boliviana CP2933, “declarou-se em emergência” por volta de 22h (1h de terça-feira, pelo horário de Brasília) “com falhas elétricas, conforme foi informado à torre de controle da Aeronáutica Civil".
O avião que transportava a delegação da Chapecoense e jornalistas, um Avro Regional Jet 85 (RJ85), deveria ter pousado em Medellín por volta de 22h (hora local). "O avião pediu preferência para aterrissar em Rionegro, foi concedida, mas logo se perdeu o contato”, relatou Bocanegra. O acidente aconteceu entre as localidades de La Ceja e La Unión.
As duas caixas-pretas foram recuperadas “em perfeito estado”, o que permitirá conhecer os parâmetros de voo, os possíveis incidentes técnicos, as conversas entre os pilotos e a torre de controle e os diálogos dentro da cabine até o momento exato da queda. A descoberta das caixas-pretas foi confirmada pelo ministro de Transporte da Colômbia, Jorge Eduardo Rojas, que não quis antecipar hipóteses sobre as causas do acidente.
Segundo o ministro, as duas caixas-pretas estão nas mãos dos investigadores aeronáuticos colombianos, assim como os motores do avião, para tentar descobrir o que causou o acidente quando a aeronave se aproximava do aeroporto internacional José María Córdova, em Medellín.
O jornal El Colombiano noticia, citando fontes do aeroporto, que a tripulação do RJ85 informou, às 21h45, que tinha pouco combustível, razão pela qual solicitou à torre prioridade na aterrissagem.
A publicação relata também que o avião tinha pouca autonomia (2.960 quilômetros) e que o trajeto (de 2.965 quilômetros) superava em quilometragem, embora por muito pouco, a capacidade de voo do aparelho. O lugar do impacto – o morro El Gordo, no município de La Unión, departamento de Antioquia – fica a cerca de nove quilômetros da pista de pouso.
 As imagens do lugar do acidente mostram que não há rastros de incêndio nem entre os restos da fuselagem nem nos motores. No entanto, a ausência de combustível, segundo os especialistas aeronáuticos, pode se dever a múltiplos fatores: fugas, falhas nos sistemas de alimentação dos motores, erros da tripulação, erros nos cálculos de autonomia do voo depois do gasto durante a decolagem ou inclusive um esvaziamento proposital dos tanques pelos pilotos diante da iminência de queda, justamente para evitar um incêndio.
A Seção de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido anunciou que enviará uma equipe de inspetores à Colômbia para colaborar com a Aeronáutica Civil local na investigação do acidente, já o fabricante do aparelho é britânico.