Ato de estudantes na praça Sete tem confusão com PM e nó no trânsito

Manifestação chegou a ser dispersada com bombas de gás e balas de borracha, mas jovens mantiveram ação nas ruas

O Tempo

Um protesto contra a PEC 55, que pretende limitar os gastos públicos pelos próximos 20 anos, reuniu cerca de 200 estudantes no centro de Belo Horizonte, nesta quinta-feira (24).
O grupo fechou o trânsito na praça Sete durante a manhã, gritando palavras de ordem e pedindo a saída do presidente Michel Temer.
O protesto foi acompanhado pela Polícia Militar que, no fim da manhã, usou balas de borracha para dispersar os manifestantes e liberar o trânsito.
Confusão
Segundo os estudantes, o protesto que seguia pela rua da Bahia foi encerrado abruptamente pela Polícia Militar (PM), com o uso de balas de borracha e bombas de gás. "Estávamos subindo a rua da Bahia e a polícia começou a jogar bombas e a atirar balas de borracha. Foi de repente. Eles (os policiais) falaram para a gente liberar uma via, mas antes de pensarmos em fazer algo, eles já jogaram as bombas. Tem menor de idade ferido e quatro pessoas presas", narrou a presidente da Associação Metropolita dos Estudantes Secundaristas (Ames), Mariana Ferreira.
Segundo a estudante, após a confusão, os manifestantes voltaram a se reunir na praça Sete e continuaram com o ato.


De acordo com o capitão Flávio Santiago, chefe da Sala de imprensa da PM, os manifestantes ignoraram os policiais que buscavam negociar a liberação de, pelo menos, parte da via. Santiago afirma, também, que a polícia recebeu muitas reclamações de belo-horizontinos, que enfrentaram dificuldades de transitar pela cidade.
"A Polícia Militar deparou com uma manifestação na praça Sete que interrompeu parte do trânsito. A polícia conseguiu resguardar o direito de manifestação e fazer as devidas adaptações para eles (os manifestantes) permanecerem no local. Eles começaram a descer a Amazonas e pararam no entrocamento com a Bahia, interrompendo completamente o trânsito. O pessoal do trânsito argumentou por mais de uma hora para eles liberarem, os policiais, inclusive, reclamam de ser ignorados. Em um dado momento, uma jovem arrancou a tarjeta com o nome do militar e ele tentou reaver, mas outros manifestantes chegaram e cercam os policiais. Neste momento, o choque usou spray de pimenta e balas de borracha, disparadas para o chão. Mais uma vez, a Polícia Militar lamenta a intolerância de alguns grupos que não interpretam que a PM está ali para ser parceira no processo e garantir o direito de manifestar, sendo respeitado os outros direitos também".
Conforme o capitão, dois jovens que estavam filmando os policiais "de forma agressiva" passaram por revista e foram detidos, após os militares encontrarem com eles uma faca de cozinha e um canivete.

Veja o vídeo feito por um manifestante, que mostra a correria e a dispersão dos manifestantes:


No período da tarde, os manifestantes seguiram em passeata até a praça Raul Soares e depois seguiram para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde aguardavam para serem ouvidos pelos deputados.